quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Pleito de Salvador definirá tamanho da Oposição


O tamanho da oposição à coalizão do governo Dilma depende muito do resultado das eleições em segundo turno para a prefeitura de Salvador, quando o Democratas, com ACM Neto, tentará conquistar mais poder de sobrevivência, depois de vencer apenas em Aracaju, nas capitais.
Ninguém melhor do que o jovem deputado federal Márcio Marinho (PRB-BA), eleito com 157 mil votos e que disputou em primeiro turno a prefeitura de Salvador, obtendo 84 mil votos, para falar sobre a competição em segundo turno entre Nelson Pelegrino (PT) e ACM Neto.
Marinho acredita que Pelegrino será o vencedor, contando com a Presidente Dilma e o ex-presidente Lula em seu palanque e com o apoio de 30 dos 43 vereadores de Salvador, razão pela qual vê o DEM limitado à sua conquista da prefeitura de Aracaju e exaurido como partido de oposição.
 A principal conquista até agora do PRB na Bahia é a prefeitura de Itabuna, além das prefeituras de Conceição do Jacuípe e Ipupiara. O partido perdeu as prefeituras de Canudos e Lençóis, esta situada na região diamantífera.
Marinho fala com entusiasmo do Partido Republicano Brasileiro -PRB -, antigo Partido Municipalista Renovador, registrado em 2006, com apoio do então vice-presidente José Alencar, observando que a agremiação conta atualmente com 10 deputados federais e  conseguiu ampliar de 780 para 1204 o número de vereadores, nessas eleições municipais –crescimento de 50,1%, um dos melhores percentuais registrados- e de 54 para 77 o número de prefeituras.
Presente em vários estados, o PRB, que apoia a coalizão governamental, é ligado à Igreja Universal do Reino de Deus e sua maior estrela foi Celso Russomano,com 1,3 mihão de votos para a prefeitura de São Paulo, ficando em terceiro lugar.O líder na Câmara é o bispo Antonio Bulhões,nascido no Rio de Janeiro e eleito deputado federal por São Paulo.

Petróleo fomenta guerra no Oriente Médio,mas Brasil quer diásporas atuando pela paz

“O mundo em desajuste”, obra do escritor franco-libanês Amin Maalouf, tem servido de referência para que o Itamarati incentive debates sobre o papel das diásporas de origem judaica e árabe na busca de construção da paz,mas os interesses das potências pelo imenso manancial de petróleo,além das disputas pela água, é o maior obstáculo para o apaziguamento do Oriente Médio.
Depois de promover a discussão do tema, com apoio da Fundação Alexandre de Gusmão, o Ministério das Relações Exteriores enviou à Câmara dos Deputados seu embaixador para Assuntos do Oriente Médio, Cesário Melantonio Neto, que afirmou, durante debate na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, que a paz entre israelenses e palestinos é o objetivo fundamental do Brasil em relação ao Oriente Médio.O debate foi conduzido pela deputada Perpétua Almeida( PC do B- AC),presidente da Comissão.
Como um dos grandes detentores mundiais de softpower, afirmou Melantonio Neto, o Brasil algum dia poderá ser mediador de conflitos,  mas,por enquanto,já pode ser um facilitador da paz junto com outros países,mas fez uma advertência:
“O monopólio da segurança e paz mundiais, exercido hoje por cinco ou seis países membros do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, precisa acabar”. Uma alusão às pretensões do Brasil de integrar o referido conselho.
Participando dos debates, o secretário de Relações Internacionais do Superior Tribunal de Justiça, Hussein Ali Kalout, afirmou que pode haver intenção dos Estados Unidos em que o presidente Bashar al-Assad, da Síria, seja tirado do poder, mas não que ocorra mudanças na espinha dorsal do stablishment, pois isto recriaria com a Rússia a questão da bipolaridade.
Descrente da possibilidade de um acordo de paz entre palestinos e israelenses, por faltar ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu vontade e maioria no governo de coalizão, Ali Khalout resumiu que “os ocidentais não querem o mundo árabe unido e o Islamismo unificado”.
A questão do Oriente Médio, a seu ver, se resume no interesse internacional pelo petróleo: ”Cerca de 60% do petróleo mundial se encontra na região, centralizado na Arábia Saudita,  no Irã e no Iraque, o que explica o interesse de Washington  pelo Irã. Cerca de 30% das importações de petróleo feitas pela China vem daquela região, das quais 20% destinadas à sua produção industrial.Seria uma forma de controlar o desenvolvimento da China.”
Khalout considera que a “primavera árabe” acabou e que nem mesmo uma estabilização da Síria recomporia o processo que levou vários países à abertura política. Menos pessimista, o consultor de empresas Thiago de Aragão vê enorme espaço para atuação das empresas brasileiras no Oriente Médio, em virtude da aceitação do Brasil pelo seu softpower, mas ,entende que é preciso melhor planejamento e envolvimento da sociedade civil e a descaracterização do Brasil como "país doméstico".

 

 

Sair da crise


 

 Adriano Benayon *

O jornal Valor publicou, em setembro, artigos de dez “renomados” economistas sobre a “crise” mundial e seus desdobramentos. Na realidade, trata-se de depressão econômica, caracterizada por queda, desde 2008, de emprego, produção, consumo e investimentos, em quase todos os países“desenvolvidos”.

2. Pior que esconder a depressão nas estatísticas oficiais é não apontar-lhe a causa essencial: a concentração dos meios de produção e das finanças sob o comando de um grupo de pessoas contáveis nos dedos, coadjuvadas por executivos cujo total não passa de 0,001% da população (mil vezes menos que o falado 1%).

3. A concentração determina as causas imediatas do colapso e da depressão:

a) desregulamentação (falta de controles públicos e supressão dos que havia) dos mercados financeiros, deixados ao bel prazer dos alavancadores dos títulos podres, como derivativos de 600 trilhões de dólares (nessa moeda e em euros);

b) os bancos e financeiras, manipuladores e aproveitadores da criação de títulos, não arcarem com os ônus dos estragos que produziram, postos nos ombros dos Estados, que viraram devedores de créditos de que não se beneficiaram.

4. Ainda mais importante que entender as causas é atentar para o fato de a depressão continuar, porque isso interessa à oligarquia financeira, detentora do real governo nas “democracias” ocidentais.

5. De fato, a depressão serve para tornar ainda maior a concentração do capital, e mais absoluto o poder oligárquico. Serve como? Enfraquecendo ainda mais os Estados nacionais, dos quais a oligarquia se havia apoderado.

6. Com o Estado subordinado aos oligarcas, quem irá conter os abusos tirânicos e quem propiciará algum espaço à verdadeira economia de mercado, capaz de viabilizar o desenvolvimento tecnológico através da competição e da demanda em economias livres da concentração?

7. Depois do colapso financeiro originado nos derivativos, em vez de se liquidarem os bancos metidos neles - como de direito, se as sociedades tivessem governos a seu serviço - os colossais prejuízos decorrentes da especulação foram transferidos para os Estados, que passaram a ser os grandes endividados.

8. A partir das dívidas públicas assim engendradas, as políticas sob o comando dos bancos levam à falsa austeridade e às privatizações favorecedoras dos carteis dos oligarcas. Através delas desaparecem não só estatais, mas também grande massa de empresas médias e pequenas.

9. No setor“privado” reinam os grandes bancos e os carteis transnacionais, cada vez mais abrangentes. Fecham-se as portas do capitalismo a ingressantes da classe média alta. A oligarquia consolida seu status de tirania.
10. Diferentemente do que muitos dizem, a crise econômica atual não provém somente do liberalismo, mas, sim, de o mundo estar dirigido e regulado pelos concentradores. Só os oligarcas ficam livres da regulamentação.
11. A depressão nos EUA, Europa e Japão leva à queda das exportações da China, a qual pretende acelerar a expansão do mercado interno e reduzir o ritmo de crescimento dos investimentos em favor da elevação do consumo.
12. Assim, a função de locomotiva do dinamismo mundial, desempenhada ultimamente pela China, não deverá prosseguir na mesma intensidade, prevendo-se queda nas importações de minérios e, portanto, das exportações do Brasil e da Austrália.
13. Em conclusão, nada se vê no horizonte, capaz de interromper o presente círculo vicioso, na maioria dos países, de deterioração das condições sociais e da infra-estrutura econômica.
14. EUA e Europa prosseguem emitindo moeda para comprar títulos podres, o que reduz quedas no valor dos ativos financeiros e das commodities. Mas isso só adia nova recaída, enquanto avilta, ainda mais, o dólar e o euro, moedas que não mais deveriam ser aceitas como divisas internacionais.
15. Muitos recordam que a grande depressão mundial dos anos 30 somente acabou devido ao choque de procura da Segunda Guerra Mundial, a partir de 1942/43.
16. Mas então, só nos EUA, foram mobilizadas 14 milhões de pessoas, e agora, os conflitos armados não mais geram mais tantos empregos, nem mesmo nas indústrias de armamentos e nas básicas. Só matam aos milhões, com armas intensivas de tecnologia.
17. As agressões a diversos países desde 2001, as quais contribuíram para elevadíssimos déficits orçamentários, visam elevar os lucros da indústria bélica, um dos grandes feudos da oligarquia, ademais dos objetivos imperiais.
18. A guerra em grande escala seria muito mais dispendiosa e tornou-se menos provável, porque surge uma superpotência, a China, além de ocorrer alguma recuperação do poder bélico da Rússia, ex-superpotência que propiciou o equilíbrio desaparecido no final dos anos 80.
19. Por fim, não há necessidade de novas guerras monstruosas, além de inúteis para sair da “crise”. A saída não é difícil, se se puser cobro à tirania política da oligarquia financeira.
20. Bastaria os Estados assumirem o controle de seus Tesouros e dos bancos centrais, extinguirem o grosso das dívidas que inviabilizam a sanidade das economias e promoverem investimentos produtivos estatais e privados no âmbito de uma economia descartelizada.
21. Fora disso, i.e., sem transformação das relações de poder, o cenário é mais depressão, e a dificuldade para essa transformação decorre da deterioração, em todos os aspectos, da vida dos povos subjugados pelo império.
22. Com efeito, a tirania conta, para afastar a revolução, com os frutos de investimentos, desde há um século, nas indústrias da comunicação social e do entretenimento e nos sistemas de “educação”, para destruir valores e culturas e embotar o discernimento, tudo isso potencializado por mais tecnologia.
23. A destruição das Torres Gêmeas em Nova York e o ataque ao Pentágono, realizados pelo Estado policial, há onze anos, são exemplos notáveis da produção de terror para justificar agressões imperiais e reforçar leis repressoras totalitárias.
24. É em cima dessas realidades, desconhecidas da maioria, que se monta nos EUA o mega-espetáculo das eleições presidenciais.
25. A eleição para presidente da maior superpotência mundial deveria ser evento de capital importância, merecedor da cobertura que tem, se houvesse real opção para os eleitores.
26. Trata-se, porém, de algo irrelevante, já que, como de hábito, os candidatos dos dois partidos estão igualmente vinculados à oligarquia concentradora, sediada em Wall Street, Londres e outras praças-chave da finança mundial.
* - Adriano Benayon é doutor em economia e autor do livro "Globalização versus Desenvolvimento"