terça-feira, 2 de setembro de 2014

Sem De Gaulle, a França busca um Putin

Por FC Leite Filho, de Paris*
O governo caiu,depois de menos de cinco meses de existência. Não, não estamos falando da IV República (1947-1958), quando a queda de 25 gabinetes provocou o golpe branco do general Charles De Gaulle. Herói da guerra e refratário ao domínio da Inglaterra e Estados Unidos, De Gaulle restaurou a dignidade, a soberania e a grandeur da França. Estamos falando dos últimos governos, de esquerda ou de direita, que sucederam o grand général, a partir de 1969, quando uma derrota plebiscitária levou-o à renúncia, em 1969.
Pode-se dizer que De Gaulle morreu de desgosto um ano e meio depois da renúncia de 28 de abril de 1969, aos 80 anos, mas ninguém pode negar que a França começou a desandar a partir de então. Governos fracos, patrocinados, inclusive os de gauche, pelas velhas oligarquias, aderiram sem o menor pejo ao mais sauvagedos neoliberalismos. Privatizaram quase tudo e submeteram o país à hegemonia não mais apenas dos Estados Unidos, mas da Alemanha e do Banco Central Europeu.
O resultado foi o desemprego que não para de crescer, o crescimento negativo e, agora, a deflação. Esta segunda-feira, 25 de agosto, também marcou o fim do verão e a rentrée, a célebre volta das férias para a dura realidade do cotidiano. Os franceses, conhecidos mundialmente pelo seu mau humor, logicamente, não gostaram do que viram e, sem muita opção, passaram a relembrar os tempos gaullistas. Brigitte Bardot, símbolo sexy e rebelde da época, ardente admiradora do général, vira capa de revista, um mês antes de completar 80 anos. Neste ano, também se comemoram os 70 anos da libertação de Paris das garras de Hitler, a primeira grande façanha do velho soldado.
Mas, como nem sempre de nostalgia vive um povo, os franceses começam a cogitar de um homem forte para governá-los, quem sabe um tipo Putin, o ex-agente da KGB, que restaurou a Rússia da debâcle que a levou o fim do comunismo, em 1989. Putin, no momento, reconstitui a influência de seu país, não mais como império, mas como parte de um bloco de poder, junto com a China e os BRICS  (Brasil incluído), para fazer face à dominação americana e européia.
A ideia inclusive partiu de um membro da aristocracia, Phillippe de Villiers, político e empresário, depois de uma entrevista com Vladimir Putin, na Crimeia, quando afirmou: “A gente está precisando de um tipo como o Putin, no lugar de Hollande”. A mídia francesa, compreensivelmente, recebeu com estupor a declaração de Villiers, numa entrevista ao jornal conservador Le Figaro. De todas maneiras, Phillippe de Villiers não é um qualquer e suas posições coincidem com o atual espírito nacional de procurar uma solução para o país fora da velha política. Ele é líder do partido nacionalista Movimento pela França, pelo qual já concorreu duas vezes à presidência e dirige o parque de diversões temáticos de história Puy du Fou, que agora exporta para a Rússia.
Atualmente, o receio maior é que a França entre na mesma depressão da Grécia, Portugal e ultimamente a Itália, nações sufocadas pelas políticas fiscais ditadas pela Alemanha, através do Banco Central Europeu, instrumento dominado não pelos 28 países da União Europeia, mas pelos grandes bancos privados e o FMI. Tais políticas já custaram a esses países a diminuição dos salários, a revogação dos planos sociais e os despejos maciços por causa da bolha imobiliária, enquanto o desemprego se situa acima de 25%.
O descontentamento aumentou depois da guinada do presidente socialista para a direita. Quando foi eleito, em maio de 2012 com uma mensagem em favor da produção e do emprego, François Miterrand despertou algum entusiasmo quanto ao futuro. Dois anos deste novo governo de gauche, após cinco anos da ( direitala droite), de Nicholas Sarcozy, porém, os franceses se sentiram decepcionados, por terem comprado gato por lebre. Hollande, apesar de suas boas intenções e de ter tentado uma política social mais ampla, foi sufocado pelo sistema de mercados que lhe fizeram engolir um homem de sua confiança para chefiar o governo.
Trata-se de Manuel Valls, membro da ala direita do PS e provável candidato à presidência em 2017. Bem falante, autoritário e ex-diretor de comunicação do PS, Valls é um espanhol de alta linhagem (filho de um grande pintor de Barcelona e de mãe suiça, neta de banqueiros, que mudou-se para Paris aos 17 anos, idade com a qual ingressou no partido. Dizendo-se social liberal, o que nos lembra os Democratas brasileiros, envergonhados de se declararem de direita, ele prega uma política fiscal parecida com a adotada pelo tecnocrata banqueiro Mário Monti, na Itália.
Com o apoio generalizado da mídia e do poder econômico, Manuel Valls, de 52 anos, tem massacrado os socialistas mais coerentes que pedem uma linha mais socialista e menos mercadista. Ele foi aliás o grande vencedor da disputa com os chamados frondeurs (rebeldes), quando anunciou a demissão coletiva do gabinete, no dia 26. Com isso, livrou-se de seu principal rival, o ministro da Economia, Arnaud Montebourgh, líder dos rebeldes, e outros três ministros inclusive um do partido verde, impondo no seu lugar um ex-banqueiro da casa de Rotschilde, Emmanuel Macron, de apenas 36 anos de idade. Num encontro com empresários, neste domingo, Manuel Valls, já confirmado como primeiro ministro do novo governo, parecia se sentir em casa naquele evento de negócios: “A França precisa dos empresários e eu amo as empresas, eu amo as empresas (repetido)”, disse ele em tom de desafio.
A busca por um novo De Gaulle ou um tipo Putin parece difícil nas atuais circunstâncias, dada a pobreza das lideranças francesas, um mal que invade todo o velho continente. A esquerda dita mais coerente tem apresentado algumas opções, como Jean-Luc Mélenchon, ex-ministro da Educação de Lionel Jospin. Ele brigou com o PS e formou o Partido de Esquerda, pelo qual concorreu a presidência, ficando em quarto lugar, com 11% dos votos, em 2012. Mas os franceses temem que, eleito, Mélenchon dê marcha-à-ré, como o fizeram Mitterand, Jospin e agora François Hollande. Talvez Dominique de Villepin, de 61 anos, grande chanceler de Jacques Chirac, um dos últimos gaullistas autênticos corresponda ao anseio nacionalista. Admirador confesso de Napoleão, sobre quem escreveu um livro biográfico, em que o considera o vencedor moral da Batalha de Waterloo, a qual “resplandece com uma aura digna da vitória”.
Diplomata de carreira, Villepin, contudo, não tem conseguido se impor na volátil política francesa, tendo sido derrotado pelo furacão Sarkozy entre os gaullistas oficiais, em 2007. Tampouco obteve apoio suficiente para candidatar-se pelo partido que criou, o Movimento República Solidária. Seu nome continua, no entanto a correr a França e o mundo. Seu discurso na ONU,  em 2003 se opondo à invasão do Iraque, pelos Estados Unidos, tornou-se uma das peças oratórias que marcaram os primeiros dez anos do século 2000, a ponto de ter aumentado o interesse pela língua francesa em muitos países (reprodução no Youtube). Villepin foi também premier de Chirac, quando apresentou algumas inovações como o programa de primeiro emprego, depois boicotado por Nicolás Sarkozy, então ministro todo poderoso do interior. Como a política dá muitas voltas, nunca se sabe, sobretudo se os políticos de ocasião continuarem a empurrar a França par o abismo (O autor esteve em Paris entre os dias 21 e 27 de agosto de 2014).

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Sua excelência a "solução final"


O crescimento da candidatura da ex-senadora Marina Silva à Presidência da República, pelo Partido Socialista Brasileiro -PSB-,que a coloca em situação de empate com a presidente Dilma Rousseff, candidata do Partido dos Trabalhadores –PT- à reeleição, e bem à frente do candidato do Partido da Social Democracia Brasileira –PSDB-, ex-senador Aécio Neves, amplia a teoria conspiratória acerca do acidente de avião que matou o ex-governador Eduardo Campos, de quem Marina era vice na chapa presidencial.
Até agora, não se sabe o que continha a caixa-preta do Cessna, e as investigações levadas a cabo pelo CENIPA, órgão investigador de acidentes aéreos da Aeronáutica, continuam sob sigilo, mas o próprio irmão de Eduardo Campos, Antonio Campos, que visitou o local, mencionou a “hipótese real” de um droner (pequeno veículo não tripulado) da Aeronáutica ter se chocado com a aeronave em que viajava o candidato presidencial, quatro assessores e dois pilotos. A Aeronáutica considera fantasiosa essa ideia.
As causas reais que derrubaram o avião, estraçalhando o aparelho  e todos seus ocupantes, como se tivessem ocorrido duas explosões simultâneas, têm povoado a imaginação dos que defendem uma investigação muito rígida em torno da teoria de assassinato, o que , em política, se denomina “solução final” (eliminação física).
À medida em que Marina assume a cabeça-de-chapa do PSB, tendo como vice o deputado federal Beto Albuquerque, e vê seu nome como praticamente garantido na disputa de segundo turno, os adeptos da teoria conspiratória  interpretam a sucessão de fatos como verdadeira engenharia político-eleitoral nessa disputa sucessória, pois só o recall de 19 milhões de votos obtidos por Marina nas eleições passadas não seria suficiente para catapultá-la à posição de favorita.
O fator inercial da comoção gerada pela morte de Campos, um político jovem e promessa de renovação, impulsiona Marina de forma extraordinária, e possivelmente impulsionaria qualquer outro nome, desde que fosse conhecido como o da ex-senadora. Esse automatismo do voto de luto é fenômeno da psicologia política coletiva. Pode ser que perdure ou aumente até as eleições, a menos que Dilma ou Aécio consiga neutralizá-lo. Mas, terão que criar um fato novo, de grande efeito, porque as forças que apoiam Marina, além do Banco Itaú e outros agentes financeiros e ONGs, têm fortes raízes internacionais, como aponta em seu artigo abaixo o colaborador deste blog, economista e diplomata Adryano Benayon.
A solução final no Brasil é aventada como hipótese aplicada em presidentes como Café Filho, Getúlio Vargas (sua amante Virgínia Lane disse que ele foi assassinado quando estava  em sua companhia, no Palácio do Catete), João Goulart, Juscelino Kubitscheck, Castello Branco, Costa e Silva, Ulysses Guimarães, Tancredo Neves, etc. O manto da nebulosidade até hoje envolve a morte desses políticos.
A tragédia aérea atinge Campos 24 anos após outro pernambucano brilhante na política, o senador Marcos Freyre, então ministro da Reforma Agrária do Governo Sarney, perecer num acidente com seu avião no sul do Pará.
No Brasil, segundo levantamento da Carta Capital, foram mortos 72 políticos entre 1983 e 2012, o que torna a política uma atividade de alto risco e a solução final um recurso antidemocrático eficaz diante do sigilo que envolve as investigações, sigilo esse reforçado pela Lei 12 970, de 8 de maio de 2014, sancionada pela Presidente Dilma Rousseff, que altera o Código Brasileiro de Aeronáutica, estabelecendo a proibição do uso de informações e análises produzidas pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Sipaer) para fins probatórios em ações judiciais e procedimentos administrativos e condiciona o fornecimento desse conteúdo à prévia requisição judicial.

Brasil:Como sobreviver?

Adriano Benayon *
As TVs e a grande mídia promovem intensamente a candidata que surgiu com a morte do desaparecido na explosão. Marina da Silva costuma ser apresentada como defensora do meio-ambiente e como diferente de políticos que têm levado o País à ruína financeira e estrutural, como foram os casos, em especial, de Collor e de FHC.
 2. Mas Marina não representa ambientalismo algum honesto, nem qualquer outra coisa honesta. O que tem feito é, a serviço do poder imperial angloamericano, usar a preservação do meio ambiente como pretexto para impedir – ou retardar e tornar absurdamente caras – muitas obras de infra-estrutura essenciais ao desenvolvimento do País.
 3. Pior ainda, a tirania do poder mundial, com a colaboração de seus agentes locais, já ocupa enormes áreas, notadamente na região amazônica, para explorar não só a biodiversidade, mas os fabulosos recursos do subsolo, verdadeiro delírio mineral, na expressão do falecido Almirante Gama e Silva, profundo conhecedor da região e, durante muitos anos, diretor do projeto RADAM.
 4. Além da pregação enganosa sobre o meio ambiente, o império vale-se de hipocrisia semelhante em relação à pretensa proteção aos direitos dos indígenas, a fim de apropriar-se de imensas áreas, que os três poderes do governo têm permitido segregar do território nacional, pois brasileiro não entra mais nelas.
 5. As ONGs ditas ambientalistas, locais e estrangeiras, financiadas pela oligarquia financeira britânica, como a Greenpeace e o WWF (Worldwide Fund for Nature) trabalham para quem as sustenta, não estando nem aí para o meio-ambiente.
 6. Isso é fácil de notar, pois não dão sequer um pio contra a poluição dos mares, produzida pelo cartel anglo-americano do petróleo: a mais terrível poluição que sofre o planeta, pois os oceanos são a fonte principal do oxigênio e do equilíbrio da Terra.
 7. Marina foi designada ministra do meio ambiente, em Nova York, quando Lula, antes de sua posse, em janeiro de 2003, foi peitado por superbanqueiros, em reunião após a qual anunciou suas duas primeiras nomeações: Meirelles para o BACEN e Marina Silva para o MME.
 8. Empossada no MME, Marina, nomeou imediatamente secretário-geral do ministério o presidente da Greenpeace, no Brasil.
9. Marina foi dos poucos brasileiros presentes, quando o príncipe Charles reuniu, na Amazônia, outros chefes de Estado da OTAN e caciques das terras que ele e outros membros e colaboradores da oligarquia mundial já estão controlando por meio de suas ONGs e organizações “religiosas”, como igreja anglicana, Conselho Mundial das Igrejas etc.
 10. Todos deveriam saber que os carteis britânicos da mineração praticamente monopolizam a extração dos minerais preciosos, e a maioria dos estratégicos, notadamente no Brasil, na África, na Austrália e no Canadá.
11. Os menos desavisados entenderam por que Marina desfilou em Londres, nas Olimpíadas de 2012, única brasileira a carregar a bandeira olímpica.
 12. É difícil inferir que o investimento da oligarquia do poder mundial em Marina da Silva visa a assegurar o controle absoluto pelo império angloamericano das riquezas naturais do País?
13. Algo mais notório: a mentora ostensiva da candidatura de Marina é a Sra. Neca Setúbal, herdeira do Banco Itaú, o que tem maiores lucros no Brasil, beneficiário, como os demais, das absurdas taxas de juros de que eles se cevam desde os tempos de FHC, insuficientemente reduzidas nos governos do PT.
 14. Não há como tampouco ignorar as conexões do Itaú e de outros bancos locais com os do eixo City de Londres e Wall Street de Nova York.
15. D. Marina nem esconde desejar que o Banco Central fique ainda mais à vontade para privilegiar os bancos a expensas do País, que já gasta 40% de suas receitas com a dívida pública, sacrificando os investimentos em infra-estrutura, saúde, educação etc.
 16. Contados os juros e amortizações pagos em dinheiro e os liquidados com a emissão de novos títulos, essa é despesa anual com a dívida pública, a qual, desse modo, cresce sem parar (já passa de quatro trilhões de reais).
 17. Ninguém notou que Marina – além de regida pelo Itaú – já tem, para comandar sua política uma equipe de economistas tão alinhada com a política pró-imperial como a que teve o mega-entreguista FHC, e como a de que se cercou Aécio Neves?
 18. Como assinalou Jânio de Freitas, Marina e Aécio se apresentam com programas idênticos. Na realidade, é um só programa, o do alinhamento com tudo que tem sido reclamado pela mídia imperial, tanto pela do exterior, como pela doméstica.
 19, Da proposta de desativar o pré-sal – a qual fere mortalmente a Petrobrás, que ali já investiu dezenas de bilhões de reais, e beneficia as empresas estrangeiras, as únicas, no caso, a explorá-lo – até à substituição do MERCOSUL por acordos bilaterais – como exige o governo dos EUA – Marina e o candidato do PSDB estão numa corrida montando cavalos do mesmo proprietário, com blusas idênticas, diferenciadas só por uma faixa.
 20. Por tudo, a figura de Marina antagoniza o pensamento do patrono do PSB, João Mangabeira, e o de seu fundador, Miguel Arraes, cujas memórias estão sendo rigorosamente afrontadas.
21. Não há, portanto, como admitir que os militantes do PSB fiquem inertes vendo a sigla tornar-se instrumento de interesses rapinadores das riquezas nacionais e prestando-se a que oligarcas internos e externos se aproveitem do crédito que os grandes nomes do Partido granjearam no coração de milhões de brasileiros de todos os Estados.
 22. Há, sim, que recorrer a medidas apropriadas, previstas ou não, nos Estatutos do Partido, para que este sobreviva e ajude o Brasil a sobreviver.
23. De fato, estamos diante de um golpe de Estado perpetrado por meios aparentemente legais, incluindo as eleições. Parafraseando o Barão de Itararé, há mais coisas no ar, além da explosão de avião contratado por um candidato em campanha.
 24. A coisa começou quando políticos e parlamentares notoriamente alinhados com os interesses da alta finança, e outros enrustidos, articularam a entrada de Marina na chapa do PSB, acenando a Eduardo Campos com o potencial de votos e de grana que ela traria.
 25. Fazendo luzir a mosca azul, a Rede o pegou como peixes de arrastão.
26. Alguém viu a foto de Marina sorrindo no funeral do homem? Alguém notou que, imediatamente após a notícia da morte dele, a grande mídia, em peso, dedicou incessantemente o grosso de seus espaços à tarefa de exaltar D. Marina?
 27. Os golpes, intervenções armadas e  outras interferências, por meio de corrupção, praticadas a serviço da oligarquia financeira angloamericana, em numerosos países, inclusive o nosso, desde o Século XIX, deveriam alertar-nos para dar mais importância a contar com bons serviços de informação e de defesa.
 28. Golpes de Estado podem ser dados através de parlamentos, poderes judiciários, além de lances como os que estão em andamento. Agora, a moda adotada pelo império angloamericano, como se viu em Honduras e no Paraguai, na suposta primavera árabe, na Ucrânia etc., é promover golpes de Estado, sem recorrer às forças armadas, as quais, de resto, no Brasil, têm sido esvaziadas e enfraquecidas, a partir dos governos dirigidos por Collor e FHC.

* – Adriano Benayon é doutor em economia, autor do livro Globalização versus Desenvolvimento e ainda filiado ao PSB.