quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Pílulas do Vicente Limongi Netto


Hipocrisia

Dilma telefonou para Michel Temer no natal. Banalizaram e mandaram para o inferno o espírito natalino. Um deboche. Rangendo os dentes, elevaram aos céus as armas da hipocrisia e do cinismo. Até as pedras das ruas sabem que os dois não se toleram. Querem se ver pelas costas. mortinhos da silva. Estão em times contrários.    Tudo não passou de farsa e conversa fiada. Trégua de araque. Constrangeram inclusive as renas do papai-noel. Depois do cretino diálogo não se sabe quem vomitou primeiro.

A própria piada

Li na coluna "Panorama político", do Globo (29/12), que o governador Geraldo Alckmin contou várias piadas aos outros colegas dele, reunidos em Brasília. A tarefa não foi difícil para Alckmin, já que ele é a própria piada.

Volta Tostão

Tostão de férias significa que o caderno de esportes da Folha fica mais pobre. Pode-se discordar do grande ex-jogador. Mas Tostão entende do que escreve. O mesmo não se pode dizer do colunista Juca Kifouri.  Apenas um torpe e venal maledicente e gaiato que nunca jogou nem pedra em Mangueira. Volta logo, Tostão.

O amor

Existe amor/ preso em mares fechados pelo tempo/domado pelas vozes dos peixes. Existe amor/preço nos braços curtos, viris/da semente básica/fugida ao confronto de rochas Existe amor/preso ontem no vaivém da história/incompleto no seu traçado adaptado. Existe amor/ preso/nutrindo raiva pela emoção do humano/documentada no eventual ódio dos poréns. Existe amor/ preso nos chafarizes cobertos de limos do real/nos talhos de sabão que vai perdendo a presença. Existe amor/ preso/antes foi pesquisado/mal reproduzido e coligido/pelos ilustres do passado. O amor existe, do homem no seu ciclo aurífero, sai pela boca, narinas e soluça com tudo que é válido.

Osso duro

O deputado Eduardo Cunha não é mariposa dos holofotes, como seus desafetos, fantasiados de éticos e paladinos por correspondência. Cunha cumpre seu dever. Não abre mão das prerrogativas de presidente da Câmara Federal. Cunha é homem de fibra. Os carrascos de Cunha são reféns e vassalos do ódio. Eduardo Cunha não vai servir de pasto para saciar o apetite doentio de demagogos, venais, cretinos, oportunistas e hipócritas.

Falta Collor

A  exemplo do que fez com Ciro Gomes e Jair Bolsonaro(Folha São Paulo - 20/12), creio que o Datafolha deveria acrescentar o nome do senador Fernando Collor nas novas pesquisas para a Presidência da República.

Duvido que Collor não obtenha pelo menos 12% de intenções de votos. Ainda a propósito do Datafolha julgo interessante e concordo com aqueles que preferem que Dilma permaneça no cargo, se tiver de ser substituída por Michel Temer É melhor manter na chefia da nação Dilma, que o povo já conhece, mesmo com defeitos, do que Temer, vice dissimulado, que não merece confiança e com forte pinta de desleal, farsante e desagregador.

A infraestrutura do modelo dependente (Conclusão)


Adriano Benayon * -
Infraestrutura (conclusão), que conclui os tópicos sobre a infraestrutura abordados no artigo anterior (O Brasil precisa reviver como Nação);
31. Além dos aumentos de tarifas, que superam 150%, em termos reais, decorrentes do sistema elétrico corruptíssimo, adotado em seguida à privatização, paira sobre a cabeça dos consumidores residenciais novo aumento na tarifa de eletricidade em 2016.
32. Foram eximidas deste, por decisão da Justiça (sic), as grandes usuárias de energia, as mineradoras e indústrias químicas transnacionais, beneficiárias, há muitos decênios, de tarifas subsidiadas. 
33. Esse é mais um exemplo do modelo montado para arrancar o solo, o subsolo e as águas do País, juntamente com nutrientes e minérios, a fim de exportar tudo com subsídios governamentais, a preços ridiculamente baixos, e sem reparação pelos irreparáveis e colossais danos ambientais.
34. Nos combustíveis líquidos, predominam os fósseis, não-renováveis, conforme a matriz ditada pelos carteis mundiais da energia – os mesmos que suscitam a devastação de países inteiros do Oriente Médio para dominar fontes de petróleo e gás natural, rotas marítimas e dutos.
35. O petróleo penetrou também na geração elétrica, afora o carvão, e o Brasil quase estagnou na hidroeletricidade, em que dispõe de formidável vantagem natural, deixando de investir, a partir do final dos anos 70.
36. Por que? Porque o modelo econômico dependente causa penúria, devido aos preços altos dos bens e serviços, geradores de ganhos que não ficam no País: daí, escassez de divisas e crescimento da dívida externa.
37. Além disso, na mentalidade dos subordinados aos concentradores financeiros mundiais, a infraestrutura não dispensa equipamentos importados, de alto custo, pagos em dólar. Assim, abortou-se o desenvolvimento das excelentes tecnologias e bens de capital que se acumulavam na engenharia de pequenas centrais hidrelétricas.
38. Quando, sob os últimos Executivos federais, se tentou recuperar parte do terreno perdido na hidroeletricidade, usinas geradoras e linhas de transmissão foram enormemente retardadas, encarecidas e prejudicadas, por interferências de ONGs, fundações e governos estrangeiros, entidades como IBAMA, FUNAI e Ministério Público.
39. Ademais de subaproveitar as quedas, suprimiram-se e reduziram-se eclusas, em prejuízo também dos transportes fluviais.
40. Sempre em benefício dos carteis transnacionais foram instaladas centrais térmicas a óleo combustível de petróleo, que elevam, brutalmente, os custos da eletricidade. Também, a gás, até para processar o da Bolívia, então controlado por Enron, Shell e BP (a Petrobrás pagando os dutos).
41. Uma das finalidades de superdimensionar a indústria automotiva transnacional -  sugadora de subsídios federais, estaduais e municipais, e de sobrepreços abusivos -  foi dar mercado a gasolina e diesel de petróleo.
42. Esses deveriam ter sido substituídos pelo etanol (inclusive bagaço-de-cana) e pelos óleos vegetais, econômicos, limpos e eficientes para também para gerar eletricidad
43. São melhor alternativa que a energia eólica. Nesta investem-se dezenas de bilhões de reais, enquanto nada para valer, nem correto, é aplicado em óleos vegetais: mais um indicativo de que o modelo dependente pretere indústrias intensivas de mão-de-obra, em detrimento da criação de empregos, inviabiliza tecnologias nacionais e favorece o uso de equipamentos e tecnologias importados.
44. Nos transportes, intra e interestaduais, e urbanos, quase tudo depende de veículos automotores: usuários extorquidos por sobrepreços pelas montadoras transnacionais; altos custos de combustíveis e lubrificantes; pedágios instalados em estradas construídas com dinheiro público; rodar sobre asfalto deteriorado ou atolar-se nas estradas de terra.
45. Shangai já passa de 500 km de linhas de metrô, e Londres tem 400 km. São Paulo, 80 km.  Nem vale a pena falar das outras cidades brasileiras.
46. Collor, com desprezo ao Brasil, extinguiu a única companhia brasileira de navegação marítima. As empresas de navegação aérea foram eliminadas (Panair do Brasil, 1965). Nos anos 1990, com FHC, foram inviabilizadas VARIG, TRANSBRASIL e VASP.
47. Não há mais nenhuma de capital nacional. A CELMA, da VARIG, com valiosa tecnologia em motores e peças, foi entregue à transnacional GM.
48. A privatização foi desastrosa também nas telecomunicações: os brasileiros pagam as tarifas mais caras do mundo. Foi perdido até o estratégico controle, da ex-estatal EMBRATEL, para a MCI International, dos EUA.
 Perspectivas da economia para 2016
Se bitolarmos o horizonte político dentro das regras constitucionais e legais presentes, as perspectivas da economia brasileira afiguram-se desfavoráveis, como acontece, há decênios, vitimada por mais uma das crises recorrentes a que conduz o modelo dependente.
2. Isso é assim, do ponto de vista da grande maioria dos brasileiros, até dos  jovens de classe média alta sem perspectiva de empregos condizentes com seu potencial, mesmo com este decaindo devido ao  abaixamento do nível da instrução e da cultura.
3. Para que as coisas se mostrem promissoras são indispensáveis estruturas muito diversas das que se vêm formando em decorrência da desnacionalização, concentração e primarização da economia. O percentual da indústria, que chegara a 35% do PIB, está em 10%.
4. Não há como haver progresso sem mercados concorrenciais e sem que o Estado oriente o desenvolvimento segundo objetivos estratégicos, inclusive: a) carreando recursos financeiros para construir infraestruturas competitivas, adequadas aos recursos naturais do País; b) propiciando espaço no mercado a empresas nacionais com potencial de desenvolver tecnologia.
5. A moeda e o crédito têm de ser usados para esses fins por um poder federal soberano, o que implica, por exemplo,  abolir o art. 164 da Constituição.
6. Este subordina o Tesouro Nacional aos banqueiros locais e internacionais, impedindo-o de emitir moeda, competência exclusiva dada ao Banco Central (BACEN), ao  qual é vedado financiar o Tesouro Nacional e demais instituições do Estado.
7. Tampouco nos serve a Lei 4.595 (Sistema Financeiro), de 31.12.1964, recepcionada como Lei Complementar à Constituição de 1988. Essa e as normas instituídas pelo BACEN         seguem os diktats dos mercados financeiros internacionais comandados por restrita oligarquia de bancos, principalmente anglo-americanos.
8. Eis importantes aspectos deletérios decorrentes dessa situação: a falta de controles de câmbio; o regime de taxas de câmbio flutuantes, ao sabor do sistema de poder financeiro mundial e a consequente elevação da taxa de juros internos do Brasil a níveis impeditivos, entre outros fatores, da competitividade do País e determinantes da concentração do poder financeiro nas mãos de bancos e transnacionais em operação do País.
9. De fato, essas empresas, com matrizes no exterior, controlam, em oligopólio, além de todos os grandes mercados, número crescente dos demais mercados.
10. Além disso, juntamente com os bancos -  muitos destes também controlados do exterior -  auferem receitas financeiras já em torno de 35% do PIB, cifra subestimada, pois boa parte dos rendimentos dos títulos do Tesouro é computada como correção monetária. Somente nesses títulos, contabilizaram-se R$ 510,6 bilhões em doze meses, até setembro de 2015.
11. Eles formam verdadeira megabomba, pois a taxa efetiva do serviço da dívida interna, cujo grosso é pago pela emissão de novos títulos, elevaria o saldo devedor, mantido o ritmo atual, ao equivalente a duas vezes o PIB mundial, em 30 anos. 
12. Que tenha havido forte desvalorização do câmbio em 2015, mesmo com juros na estratosfera, é um dos indicadores de que a economia brasileira não é sustentável sem cabal substituição das estruturas políticas e da estratégia econômica.
13. Para o 1º semestre de 2016, desenha-se a possibilidade,  no cenário financeiro , de novo colapso, pior que o último, de 2007/8. Agora, o estoque de títulos derivativos é três ou quatro vezes maior que o de então, e, está quase todo com Tesouros nacionais  ou bancos centrais.
14. No Brasil, os efeitos desse colapso seriam ainda mais devastadores, em face das pressões político-financeira externa e política interna, que o País tem sofrido no processo de desestabilização do Executivo federal, as quais já elevaram o spread do “risco Brasil” para mais de 4% aa.
15. Diante de tudo isso, o País está despreparado, com os poderes da República desviados de suas obrigações, sob interferências externas e sendo os interesses nacionais entregues às traças. De pouco adiantará ejetar o presente Executivo, pois os atuais pretendentes a substituí-lo estão claramente alinhados com o império anglo-americano.

 * - Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo, Alemanha,  autor do livro Globalização versus Desenvolvimento (abenayon.df@gmail.com).

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Impeachment difícil, mas Temer continua se aprestando


No Brasil, abaixo da linha do Equador,  onde não existe pecado, vai se desenhando o caminho para que a Presidenta Dilma Rousseff  se livre do impeachment  pedido pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reali Júnior por conta das denominadas “pedaladas fiscais” do Governo.
O próprio Tribunal de Contas da União  admite que o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e sua equipe são os responsáveis pelas “pedaladas”, apontando o caminho para que a Presidenta Dilma e o vice-presidente Michel Temer escapem do julgamento. 
Resumindo: A Chefa do Governo e o seu eventual substituto, Michel Temer, assinaram as “pedaladas fiscais” sem qualquer responsabilidade pelos seus atos. A equipe econômica tê-los-ia induzido ao expediente, que é inconstitucional.
Com a Polícia Federal tocando fogo nos esconderijos e arquivos do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, fervoroso defensor do processo de impeachment, também pressionado pela Comissão de Ética daquela Casa, mais um foco de agressão a Dilma é debelado.
Soma-se a isso tudo a afirmação do presidente do Senado Federal, senador Renan Calheiros, de que um eventual impeachment teria que passar também pelo Senado Federal. As ruas se manifestam flacidamente em favor do impeachment da Presidenta. Sem maior pressão, elas não decidirão, com toda a efervescência causada pelas redes sociais.
A mídia impressa e eletrônica, empresas do setor esportivo e bancos  patrocinadores, de olho no faturamento e nos seus compromissos com a realização dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos, no próximo ano, no Rio de Janeiro, com início de agosto e término em setembro, também não querem o impeachment, que pode gerar instabilidade e repelir investidores e turistas.
Se Dilma não deve sair pelo impeachment, sairia cassada pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder econômico na sua reeleição? Também não, porque Michel Temer seria cassado com ela. Então, teoricamente, tudo continuará como está, e até pode melhorar, se o Governo conseguir sair da armadilha econômica em que caiu. Certo ou errado?
Errado, porque o vice-presidente Michel Temer está se preparando para assumir a Presidência ocupando o vácuo de confiabilidade e eficácia que Dilma tem deixado. Ela diz que quer ficar porque foi eleita, mas o mesmo povo que a colocou tem o direito de destitui-la por não corresponder aos seus anseios e por se manifestar descrente do PT por tantas mazelas que vêm sendo apuradas e que levaram o Brasil a essa situação vexatória. São Tomás de Aquino já considerava legítima a rebelião popular contra o governante inepto, causando frisson na Baixa Idade Média com sua tese.
Temer conta com apoio de quase todos partidos. Sempre foi e continuará sendo a pedra angular, o unificador da política brasileira atual. Renúncia voluntária de Dilma ou sua incapacitação física por razões diversas, principalmente  as de saúde, são duas alternativas que restam para que o caminho seja aberto para Michel Temer assumir sem traumas para a democracia, para as Olimpíadas e as Paraolimpíadas.
À margem do processo político, continua a Operação Lava Jato com as suas apurações que ainda revelarão fatos absurdos e que podem mudar o caleidoscópio político a todo instante. O ministro da Justiça, Eduardo Cardoso, luta desesperadamente para salvar o pescoço dos empresários, conforme notícias que circulam nas redes sociais e apurações da revista “Veja”. Eduardo Cardoso estaria sujeito a cominações legais, como aconteceu com o senador Delcidio do Amaral, por tentar usar seu cargo para  atrapalhar as investigações da Lava Jato.
A situação política e econômica   no Brasil continua nebulosa, principalmente porque ainda não se chegou a um ponto de ruptura político-institucional, embora o governo Dilma Rousseff em si esteja ferido de morte, como naquele samba de Nelson Sargento com letra de Chico Buarque de Holanda, "Agoniza, mas não morre".