terça-feira, 31 de março de 2015

"Ruídos ensurdecedores" na política


Vou relacionar aqui alguns “ruídos ensurdecedores” na política brasileira, que vêm criando, em velocidade preocupante, um clima de inquietação em Brasília e no resto do País, clima este que, certamente, as embaixadas acreditadas junto à capital vêm relatando aos seus governos com detalhes que desafiam até o talento analítico e redacional dos diplomatas. Para o Itamaraty, também não deve estar sendo nada fácil explicar oficialmente lá fora o que está ocorrendo aqui dentro.
-Os ministros da Educação, Cid Gomes, e da Comunicação Social, Thomas Traumann, pedem para sair do Governo, com menos de três meses de posse da presidenta reeleita. O que é isto? Deserção ou desencanto? Cid nomeado para a Educação era mesmo um despautério. Vejamos agora como vai se comportar o filósofo  Renato Janine Ribeiro, homem de índole rebelde e muito enraizado em São Paulo.E Traumann saiu traumatizado (perdoem-me o trocadilho!) com a matéria-prima que tinha para realizar um bom trabalho...O Governo não cumpre os fundamentos científicos da Comunicação Social.
-O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, disse para uma plateia de ex-estudantes da Universidade de Chicago que a Presidenta Dilma Rousseff nem sempre age da forma mais simples e eficaz. O que é isto? Sabotagem, deduragem ou desencanto com a Presidenta? E a retificação que Dilma e o próprio ministro tentaram fazer para a opinião pública, os políticos e empresários tornou a emenda pior que o soneto. Se eu fosse a Presidenta, demitiria Levy, com todas as consequências que adviessem. Levy não tem jogo de cintura, como tinham, por exemplo, Delfim Netto, Roberto Campos...
-Os Presidentes da Câmara dos Deputados, Deputado Eduardo Cunha, e do Senado Federal, senador Renan Calheiros, se recusam a aprovar as propostas de reforma fiscal do Palácio do Planalto e ainda acenam com a aprovação de uma redução das dívidas dos Estados e Municípios. Falta boa coordenação política para o Governo no Congresso. O processo legislativo requer muito mais do que lobistas junto a parlamentares negociando verbas orçamentárias.
-O Partido dos Trabalhadores  -PT-,com o ex-presidente Lula presente à reunião, resolveu proclamar seu retorno à radicalidade, afirmando que a oposição tenta tirar do PT o mérito de ter promovido a inclusão social de 35 milhões de brasileiros. Será que o PT acredita mesmo que pode adotar o silêncio dos inocentes, depois do Mensalão e do Lavajato? Chamem Thomas Harris, Hannibal Lecter e José Ramalho para explicar!...
-O PT se opõe com veemência à redução da maioridade penal, conforme projeto que a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara quer aprovar. Opção ética e política ou crise de consciência pelo contingente expressivo de marginais que brotam nos centros urbanos em decorrência da falta de políticas públicas adequadas, em diversos setores sociais, para coibir a violência. Os noticiários policiais revelam à sobeja o recrudescimento do crime no Brasil, sob todas as suas formas. A corrupção é uma forma de violência política que embrutece a sociedade.
 

A estrutura do caos

 
Adriano Benayon *
 
A taxa de juros SELIC, a taxa base para títulos do Tesouro Nacional já estava demasiado alta em 11.25 pontos percentuais em novembro de 2014. Após sucessivas elevações, o COPOM (Conselho de Política Monetária),  “orientado” pelo BANCO CENTRAL a elevou para 12.75 pontos percentuais.
 
2. A taxa efetiva, basicamente determinada pelo cartel de bancos credenciados como dealers desses títulos oficiais, fica, em média, três pontos acima da taxa básica (hoje quase 16% aa.), ou ainda mais em períodos turbulentos.
 
3. Tais juros - sem paralelo em países não submetidos ao império financeiro, controlado pela oligarquia angloamericana – causam intensa hemorragia nas finanças públicas, um de cujos efeitos é elevar a conta dos juros a cada ano e fazer crescer incontrolavelmente o estoque da dívida.
 
4. Isso se dá em função da capitalização dos juros através da emissão de novos títulos para liquidar os que vão vencendo, pois as   receitas tributárias (das quais vem o superávit primário) são, de longe, insuficientes.
 
5. Para uma ideia do estrago desencadeado por poucos pontos percentuais na taxa, basta fazer simulações com a composição anual dos juros.
 
6. Os juros incorporados ao principal -  supondo que não se liquidassem juros e amortizações, em dinheiro, durante 30 anos -  fariam ascender os 3  trilhões de reais, no momento, da dívida interna), para os seguintes montantes:
 
1)    12% aa. = R$ 89,9 trilhões, (multiplicaria a dívida por 30);
2)    15% aa. = R$ 198,6 trilhões, (a multiplicaria por 66);
3)       18 % aa. = R$ 430,1 trilhões (a multiplicaria por 144).
 
7. Portanto, a cada três pontos percentuais de aumento, o multiplicador mais que dobraria. Do jeito que vai a presente taxa efetiva (18% aa.), a dívida atingiria quantia equivalente a US$ 143 trilhões, ou seja, quantia igual a duas vezes a soma dos PIBs de todos os países do mundo.
 
8. Tenho explicado que os formadores de opinião, montados no monopólio da comunicação social - cujo negócio é desinformar -  fazem a maior parte do público comprar a ideia de que as elevações das taxas de juros seriam necessárias para conter a inflação dos preços.
 
9. As artes da desinformação incluem fazer acreditar numa  entidade misteriosa chamada “mercado”, a que se atribui exigir os injustificáveis juros estratosféricos. Então, aos olhos do público esses juros deixam de ser o instrumento do saqueio cometido pelo cartel dos bancos e são imputados ao abstrato “mercado” e a supostas leis econômicas, igualmente abstratas.
 
10. A armação a serviço dos concentradores financeiros desvia a  discussão do terreno dos fatos para o das teorias econômicas e para o das doutrinas político-filosóficas.
 
11. A questão não é doutrinária: não são neoliberais nem necessariamente partidários da direita os defensores e aproveitadores da política de juros altos, tal como os da política de  subsidiar trilionariamente  os carteis transnacionais.
12. Trata-se simplesmente de arrancar do Brasil quantias e recursos naturais incalculáveis. É pirataria, assalto, extorsão, reminiscente das proezas imperiais do século XIX, como as guerras do ópio, que o império britânico desencadeou contra a China, de 1839 a 1842 e  de 1856 a 1860.
13. O objetivo inicial dessas guerras foi deixar de pagar em ouro (mesmo dispondo a Inglaterra abundantemente do metal proveniente do Brasil e alhures) as importações das manufaturas produzidas na China, bem como apropriar-se das indústrias e roubar-lhe as técnicas de produção, tal como já havia feito na Índia.
14. Falando nesta, para produzir o ópio destinado à China, era só  explorar os trabalhadores e a terra da Índia, saqueada de 1757 a 1863, em recursos equivalentes ao dobro dos investimentos feitos na Inglaterra, inclusive em imóveis.        
15. A Grã-Bretanha havia transformado o grosso de suas importações da Índia em pilhagem escancarada, deixando de pagar o que quer que fosse por elas. Vide André G. FRANK, Acumulação Mundial 1492-1789. Rio de Janeiro, 1977, pp. 178 et segs.
16. Ao contrário do que se imagina, a Índia não era pobre e só no Século XIX é que afundou na miséria extrema, com milhões com fome, dormindo na rua em Calcultá.  Os incautos admiradores brasileiros do império angloamericano não percebem que, no curso atual, é para algo assim que o País se encaminha.
17. Os juros abusivos nos títulos públicos - e mais ainda no crédito a empresas e a pessoas físicas, bem como os espantosos subsídios às aplicações financeiras e às empresas transnacionais - são apenas alguns dos mecanismos montados para tornar falido o Brasil e acelerar sua dilaceração sob as bicadas de vorazes abutres financeiros.
* - Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
 

quinta-feira, 26 de março de 2015

Pílulas do Vicente Limongi Netto

Infâmia
Na tentativa de salvar a própria pele, o dedo-duro e crápula Youssef de tal joga as patas em Fernando Collor, através de mentiroso depoimento divulgado para a imprensa.  Delirando, faz infundadas acusações ao senador e ex-presidente. Puro desespero. Não há elementos concretos,  rigorosamente nada, vídeos, diálogos, documentos, que incriminem Collor. É a palavra de um patife e contraventor, contra a palavra de um senador reeleito e inocentado em dois julgamentos pelo STF.
 
Trânsito perigoso
 
Seguramente o colégio Sigma, da L-2 Norte, em Brasília, é o único colégio nas avenidas  L-2, Sul e Norte que não dispõe dos necessários semáforos.  Um absurdo e falta de respeito aos estudantes e pedestres em geral. Como estamos no país da improvisação e do faz de conta, o Detran colocou um varal na frente do colégio que não resolve rigorosamente nada.
 
Não tranquiliza nem oferece segurança aos alunos nem aos pais deles. Sobretudo porque os motoristas  passam voando na frente do colégio. Outra manada de irresponsáveis que não têm  o dever e o senso de diminuir a velocidade e parar com a presença dos estudantes. Não se sabe até quando o Detran continuará dando desculpas inúteis que não convencem a ninguém.
 
83 anos de Bernardo Cabral
 
Bernardo Cabral é um astro iluminado. Ontem, hoje e sempre. Homens de bem, felizmente a maioria esmagadora do planeta Terra,  gostam, têm apreço e admiram Bernardo Cabral. Bernardo é homem público e jurista respeitado no mundo todo. Recentemente a OAB do  Rio de Janeiro, com apoio da CNC, lançou oportuno livro, "Estudos de Direito Constitucional", com depoimentos de  ministros de Tribunais Superiores,  e de um ex-ministro da Fazenda, exaltando a trajetória pessoal e politica do ex-ministro da Justiça e ex-senador Bernardo Cabral.Neste dia 27, sexta-feira, o amazonense que ama sua terra, Bernardo Cabral, completa 83 anos de idade. Com a consciência do dever cumprido. Firme, forte, feliz e merecedor de todas as homenagens.
Olimpíadas
 
Seguramente a Olimpíada Rio-2016  encantará o mundo. A exemplo do que ocorreu com a realização da copa de 2014,  torcedores e  atletas  exibirão fibra, talento, garra, disciplina, determinação e alegria. Os olhos do planeta estarão voltados para o Rio de janeiro e demais cidades sub-sedes.    Algumas cassandras não acreditavam no êxito da copa do mundo. Quebraram a cara. A copa foi um retumbante sucesso. As previsões da manada dos pregoeiros do caos  com referência às olimpíadas também fracassarão, porque o brasileiro é valoroso. Não é povo de trabalhar para morrer na praia. A propósito, um brasileiro de 98 anos, que dia 8 de maio completa 99 anos de idade, João Havelange, teve participação ativa, efetiva, valiosa e fundamental para que o Rio de Janeiro fosse escolhido para sediar as olimpíadas de 2016. Como membro efetivo e decano do COI, Comitê olímpico Internacional, escreveu centenas de cartas do próprio punho, aos demais integrantes do Comitê, pedindo que votassem no Rio de Janeiro. Em 2016, com 100 anos de idade, com a consciência do dever cumprido, Havelange estará torcendo nas olimpíadas  pelo sucesso dos atletas brasileiros. 
 
Time patético
A patética besteira  de Rogério Ceni, no inicio do jogo, desmontou o emocional do time do São Paulo. Luiz Fabiano, mesmo em má fase, é superior a Pato e Kardec.  A ausência de Souza foi tremendamente sentida. Ganso mais marcado do que o habitual. Era cercado por pelo menos 3 adversários toda vez que pegava na bola. Só faltaram ir até o vestiário com ele.  A primeira expulsão também ajudou a desmantelar o time. O São Paulo ficou, então, ainda mais confuso, perdido e desmotivado. Se fosse antigamente, Rogério Ceni  receberia  merecidamente multa salarial de 50%. 
 
Farsante
 
Dilma continua recebendo pessoas erradas. Gente oportunista e rancorosa. Exemplo marcante: Juca Kfoury, o rebotalho da crônica esportiva. O manjado e farsante Kfoury deseja apenas usar a influência da chefe da nação para tentar saciar seus apetites doentios contra figuras que não lhe dão a menor importância e que, realmente, ao contrário dele, trabalham efetivamente pelo engrandecimento e modernização do futebol penta campeão do mundo. Acorda, Dilma.  O governo não pode deixar de dialogar com o comando da CBF se realmente deseja marcar gols a favor do futebol, dos clubes e dos atletas profissionais.