quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Niemeyer, na ótica de Ivan Luz, em 1963


Recebo comentários para este blogspot  de leitores e articulistas do Brasil e do exterior, e, quando considero pertinente o assunto, em relação ao momento político, aproveito a matéria sem censura ideológica, pois a diversidade e o contraditório são essenciais à análise e ao debate.
Já escrevi sobre a morte de Oscar Niemeyer, logo abaixo, sob o título “Niemeyer, o arquiteto de si mesmo”, e agora publico link de acesso ao discurso proferido pelo deputado Ivan Luz, quando Niemeyer  foi agraciado com o “Prêmio Lenin da Paz”, em 1963, juntando-se a Jorge Amado(1951) e Eliza Branco(1952), como os três únicos brasileiros a receberem a mais alta condecoração civil ofertada pela União Soviética.
O eminente jurista, político e ex-ministro do Tribunal de Contas da União, Ivan Luz, foi um brilhante intelectual, ensaísta, politólogo e ideólogo, tendo sido uma das figuras exponenciais da Ação Integralista Brasileira, fundada por Plínio Salgado, em 1932,inspirada no fascismo italiano e extinta quando Getúlio Vargas fundou o Estado Novo, em 1937.
Conheci-o pessoalmente, em Brasília, na década dos 70, e tive-o como um dos meus professores num curso de formação de lideranças políticas; desfrutei do convívio com sua família, particularmente, com sua filha, Ângela Luz Barreto, minha colega de trabalho na Liderança do Partido Democrático Social – PDS-, que se fundiu com o Partido Democrata Cristão–PDC-, dando origem ao Partido Progressista Renovador – PPR- e,posteriormente, ao atual Partido Progressista –PP-, que  tem  Ângela em sua assessoria, na Câmara dos Deputados. 
Ivan Luz atuou politicamente como vereador e Presidente da Câmara Municipal de Londrina (PR) e fundou as Faculdades de Direito e de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina, nas quais lecionou Direito Constitucional e Crítica e Filosofia da História.
Sua atuação foi muito importante na Câmara dos Deputados, tendo participado da elaboração do Código Florestal, da Lei de Imprensa e do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, marcando presença nas Comissões de Agricultura e Constituição e Justiça da Câmara.
O discurso de Ivan Luz sobre a condecoração de Niemeyer pode ser acessado pelo link http://www.youtube.com/watch?v=jZNZhaF_q8k

 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Economia e corrupção geram "handcaps" para a Oposição


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, é alvo de críticas por sua visão panglossiana, tendo sido comparado com o personagem “Cândido”, de Voltaire, por prever que o Brasil chegará à quinta potência econômica antes de 2015,quando o País registra um PIB de 1,6%,bem aquém das expectativas para este ano, apesar dos estímulos que o governo vem anunciando para a economia: 100 bilhões para o PIS em 2013, desoneração da folha de pagamentos do setor de construção civil e redução do custo de energia em 20%.
Na visão de alguns políticos,esse fraco desempenho da economia derruba a idéia de uma competente gestão, que o governo Dilma tenta projetar, e, certamente, será um dos pontos falhos a serem explorados pela oposição nas eleições de 2014, juntamente com o caso da “Operação Porto Seguro”, envolvendo corrupção no âmbito da representação da Presidência da República em São Paulo.
A candidatura de Aécio Neves já está decidida e acertada com o governador Geraldo Alkmin, de São Paulo, segundo afirma o deputado e empresário mineiro Lael Varella (DEM-MG),que não considera importante definir o vice da chapa neste momento. O discurso de Aécio dará destaque às falhas apresentadas pelo atual governo de coalizão.
O deputado federal Lúcio Vieira Lima, presidente do PMDB na Bahia, considera que Aécio não tem um projeto de governo ,embora o senador venha defendendo que o PSDB crie uma nova agenda para o Brasil:"Não se sabe até agora qual sua proposta de governo para o Brasil".
Continua a incógnita sobre o vice a compor a chapa de Aécio Neves. Comenta-se a possibilidade de que o governador de Pernambuco e atual presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro –PSB-, Eduardo Campos, venha ser o nome para vice, desde que o PSB deixe a base aliada do governo, o que não parece tão inviável como alguns analistas apontam,embora amigos mais íntimos de Campos vejam-no como nome presidenciável.
A estratégia do PSB para 2014 não é permanecer incondicionalmente com a coalizão governamental liderada pelo PT e PMDB. Enquanto o próprio PMDB procura se livrar da imagem de partido caudatário e não protagonista principal das decisões de governo e já se prepara para lançar candidato próprio à Presidência em 2018, o PSB levanta a ponta do véu de sua estratégia nacional abandonando a coligação que elegeu o governador Agnelo Queiroz, do Partido dos Trabalhadores, no Distrito Federal.
A figura principal do PSB no Distrito Federal, o senador Rodrigo Rollemberg, apoiou a decisão da direção partidária, insatisfeita com a atuação do governador Agnelo Queiroz e com os rumos da coalizão com o PT, o PMDB e o PDT.Não deixa de ser um indicativo regional para o cenário nacional,pois,obviamente, a declaração de independência do PSB/DF teve o beneplácito,ou até o estímulo, do governador Eduardo Campos.

 

 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Niemeyer, o arquiteto de si mesmo


 

Oscar Niemeyer, o arquiteto que o Brasil e o mundo inteiro reverenciam, falecido no último dia 5, no Rio de Janeiro, dizia que arquitetura é invenção; pois ele inventou a si mesmo, como  cidadão, profissional e político filiado ao Partido Comunista Brasileiro, desde que conheceu seu expoente no Brasil, Luis Carlos Prestes, em 1945.

Como cidadão, seguia os princípios de seu avô Ribeiro de Almeida, que fora ministro do Supremo Tribunal Federal e homem com vida pautada na lisura e simplicidade; como profissional, revolucionou a arquitetura com obras admiráveis espalhadas pelo Brasil e vários países; e, como político militante, proclamava que “as idéias marxistas continuam perfeitas; os homens é que poderiam ser mais fraternos.” Sem exagero, pode ser considerado o maior ícone comunista do século.

Torna-se evidente que a obra genial de Oscar Niemeyer projetou seu nome, mas o imenso destaque dado ao seu falecimento – cerca de 1.500 notícias publicadas no mundo inteiro, em menos de 24 horas , segundo registros de alguns sites  e jornais– se deve à sua condição de comunista convicto. Não me recordo de um brasileiro morto com tanta publicidade.

É como se a imprensa mundial, a esquerda internacional e os demais órgãos adeptos do Marxismo- Leninismo estivessem preparados para o anúncio da morte de Niemeyer, não desde a sua internação hospitalar, mas, há décadas, à espera da seiva de realimentação das esquerdas. Niemeyer torna-se uma raríssima oportunidade de exercício do internacionalismo pelo movimento comunista ortodoxo, estiolado por diversas correntes adeptas do socialismo nacionalista, dentre as quais se destaca a Social Democracia da Escola Austríaca liderada por  Bruno Kreisky. No Brasil, ela é representada pelo PSDB,enquanto os comunistas se encontram na legenda do Partido Popular Socialista -PPS-, de Roberto Freyre.

 A longevidade, a lucidez e a convicção comunista ortodoxa de Niemeyer criaram o clima de apoteose mundial ao ilustre arquiteto brasileiro, no instante em que se proclama o fim das ideologias e as esquerdas se encontram à deriva, derrotadas pelo capitalismo liberal, desde a queda do Muro de Berlim, em novembro de 1989.

Vejo Niemeyer como arquiteto de si mesmo, porque ele soube conciliar seus empreendimentos profissionais com o capital mantendo a sinuosidade de sua ideologia do trabalho, típica das curvas de suas arrojadas obras. A estátua de Juscelino Kubitscheck, no seu Memorial em Brasília, empunhando uma foice estilizada, é uma boa síntese dessa dissimulação.