sexta-feira, 3 de julho de 2015

Na Grécia, há mentes colonialistas

Jornalista Francisco das Chagas Leite Filho
No Itamaraty progressista, os diplomatas costumam citar a frase de um brilhante chanceler brasileiro, Azeredo da Silveira, de que “pior do que o colonialismo é a mente colonialista”. Taí um caso típico: O ex-premiê Geórgios Papandréu, de 63 anos, vem de uma linhagem de históricos socialistas, não destes supostos sociais-democratas que ajudaram a afundar o Estado do Bem-estar social, o Welfare State, que revolucionou a Europa democrática depois da guerra.
Ele é filho e neto de dois premiês socialistas autênticos – Andréas e Geórgius Papandréu, fundadores do hoje extinto Pasok e grandes legendas das transformações sociais da Grécia no pós-guerra. Pois é, este homem, que praticou a ignomínia de desconvocar um referendo sobre a dívida externa, quando a economia de seu país começava a explodir, em 2011, e mesmo assim, foi punido com a deposição do cargo, não num mano militaremas mano parlamentare da Troika (FMI, BCE e UE) sobre a política grega, vem agora defender essa mesma Troika. Ele proclama aos quatro ventos que o apoio ao referendo desta vez sacramentado para o domingo dia cinco, seria “uma catástrofe”.
Reproduzo sua entrevista, publicada em El País, infelizmente em espanhol, porque não tenho estrutura para providenciar a tradução, para que o internauta consiga penetrar na mente subjugada desse homem, que, embora reconhecendo, no mesmo diálogo, a chantagem europeia sobre o seu país, diz coisas assim: “Se prevalecem as emoções e a ideia romântica de Davi contra Golias, ganhará o não. Se preponderam, em troca, a lógica e os interesses do país, o sim prevalecerá”. Claro que sua entrevista é uma peça de propaganda da Europa contra o governo popular grego Syriza, o qual, para enfrentar as extorções da Troika, busca o apoio do povo para tirar seu país da mais selvagem das políticas econômicas que foi obrigar a seguir para fazer jus a míseros empr´stimos que só puxam os gregos para baixo. É o típico exemeplo da mente colonizada, mas que ganha o mundo na machete dos principais jornais hegemónicos e mercadológicos. Um detalhe: as pesquisas mais idônias dão 54% para o “nãoæ pedido pelo atual premier Aléxis Tsípras, e 33% para o “sim” dos pró-Troika.
Íntegra da entrevista – (Do site Elpais.com)”Espero de todo corazón que Tsipras consiga alcanzar un acuerdo de última hora que le permita desconvocar el referéndum o hacer campaña en favor del sí. No podemos dividir de esta forma a Grecia. Si gana el no, nos arriesgamos a una catástrofe: poco a poco, nos deslizaremos fuera del euro. Y los que pagarán por ello serán precisamente los pobres y los jubilados a los que el primer ministro afirma defender”. Para el ex primer ministro griego, Yorgos Papandreu, hablar de referéndum es como echar sal en una herida abierta. En noviembre de 2011, cuando él mismo convocó una consulta popular para plantear a los griegos si querían permanecer o no en el euro, la troika le enseñó tarjeta roja, obligándole amablemente a renunciar a su cargo. De modo que estos días son para él una especie de déjà vu que sigue con ansia. Listo, eso sí, para volver a entrar en liza con su nuevo partido To Kinima.
Pregunta. ¿Quién ganará el domingo,?
Respuesta. Si prevalecen las emociones y la idea romántica de la pelea de David contra Goliat, ganará el no. Si preponderan, en cambio, la lógica y los intereses del país, se impondrá el sí. Pero el resultado es muy incierto. No existe un paraíso y un infierno. Ambas son opciones a la baja. Obviamente, yo confío en que gane el sí para que pueda formarse inmediatamente después un gobierno de unidad nacional, que abarque desde Syriza hasta Nea Demokratia, y se apruebe el acuerdo en el Parlamento. Más tarde, ya en otoño, con el crédito y los bancos ya en funcionamiento y el país de nuevo en la ruta justa, se podrían convocar elecciones.
R. Nos adentraríamos en un camino muy peligroso. Con la economía estrangulada, sin dinero en los bancos, ciudadanos que dejan de pagar impuestos y la economía en caída libre. El gobierno se vería obligado a emitir una moneda paralela o a volver al dracma. Una catástrofe. Nadie nos expulsaría de Europa. Seríamos nosotros mismos quienes nos alejaríamos de ella sin darnos cuenta siquiera, paso a paso. Y será a los más débiles a quienes toque pagar el precio más elevado.
P. ¿Cómo se ha llegado a una situación semejante?
R. Las negociaciones se han conducido mal por ambas partes. Tsipras ha dilapidado el enorme capital político que tenía al principio. Malgastó meses en cambiar el nombre a la troika y en decidir si se debía negociar en Atenas o Bruselas. Enseñaba una cara en Europa y otra en Grecia, cambiando de postura en demasiadas ocasiones. La Teoría de Juegos cuyo objetivo era llegar al último minuto con Grecia dispuesta a ser la bomba que hiciera volar por los aires el euro no ha obtenido recompensa. Syriza tenía que haber hecho gala de mayor amplitud de miras y demostrar desde el principio que deseaba emprender de verdad las reformas que necesita el país: la lucha contra la corrupción, la evasión fiscal y el clientelismo, la mejora de la justicia civil y del fisco. En vez de hacerlo, prefirió centrarse solo en la cruzada contra el memorando.
P. Y Europa, ¿en qué se ha equivocado?
R. Ha pecado de falta de solidaridad y de ambición. Si hubiera puesto de inmediato sobre la mesa la reducción de la deuda, las cosas habrían ido mejor enseguida. Grecia ha realizado el mayor ajuste fiscal en un país desarrollado de la historia. Y tirarlo todo por la borda insistiendo excesivamente en los recortes y en los objetivos fiscales ha sido un error. Era necesaria una mayor flexibilidad. Si el BCE hubiera dicho en 2010 que “haría todo lo necesario” para salvar a Atenas —como hizo Draghi más tarde en relación con el euro— hace mucho tiempo que estaríamos fuera de peligro.
P. Syriza afirma que la UE, el BCE y el FMI, en cierto modo como le ocurrió a usted en 2011, están tensando la cuerda porque quieren hacer caer el gobierno Tsipras. ¿Cuál es su opinión?
R. Son dos situaciones diferentes. Yo negocié un acuerdo y conseguimos alcanzarlo. Cuando convoqué un referéndum para dar la palabra a los griegos hasta Merkel personalmente llegó a felicitarme. Pero después la Francia de Sarkozy me cavó la tierra bajo los pies. Pero fue una batalla contra el referéndum, no contra mí. Hoy las cosas son muy distintas. Tsipras ha perdido gran parte de su credibilidad. No se puede atacar frontalmente a Draghi para pedirle a continuación más dinero. No se puede afirmar que el BCE te chantajea cuando sabes perfectamente que desde el 30 de junio ya no podrá concederte más créditos de emergencia. No puedes convocar un referéndum cuando estás a un paso de un acuerdo honorable. Ahora el mal ya está hecho. Y sea cual sea el resultado del referéndum, tendrá grandes dificultades para reconstruir una relación de confianza con Bruselas.
© La Repubblica
Traducción de Carlos Gumbert

Saída honrosa

Por Márcio C. Coimbra
 
Garrett Walker, Presidente dos Estados Unidos na série House of Cards, olha para Frank Underwood e diz: "Minha aprovação é de 8%. Mesmo que eu escape de uma condenação, eu não tenho mais um mandato para liderar. É melhor que eu saia de cena com alguma dignidade e a nação inicie seu processo de cura". Walker enfrentava uma série de acusações sobre dinheiro ilícito e estrangeiro em sua campanha presidencial. Fez aquilo que se espera de um estadista: decidiu sair de cena, colocando sua nação em primeiro lugar.
 
Nenhum Presidente americano na história recente teve índices de popularidade como as sugeridas na ficção. Truman andou no patamar dos 22% e George W. Bush esbarrou nos 25%. Até Nixon, que acabou renunciando, tinha uma popularidade de 24%. Atualmente a de Obama vive em torno de 47% e seu menor patamar foi de 38%. 
 
Tudo isso preocupa quando olhamos para os números do Ibope. Dilma anda disputando com Garrett Walker patamares baixos de aprovação. A Presidente do Brasil tem hoje 9% de avaliação positiva - com apenas 6 meses de mandato cumprido. É uma situação preocupante. Em uma democracia, o apoio popular é fundamental para manutenção do poder. A falta de popularidade afeta a capacidade de liderar e faz com que o mandatário se torne apenas um coadjuvante sem importância na sua relação com as demais instituições. Se o sistema é parlamentarista, cai o governo, mas no presidencialismo a agonia parece eterna.
 
83% dos brasileiros desaprovam a maneira de governar de Dilma, enquanto 78% afirmam não confiar nela. 82% enxergam seu segundo governo pior do que o primeiro. Em qualquer democracia são números de uma administração moribunda, que respira por aparelhos e espera simplesmente o fim. A questão é que Dilma ainda tem 3 anos e meio de mandato pela frente. Como disse antes, é uma agonia interminável.
 
Isto joga o Brasil diante de um problema institucional. Diante do vácuo de poder criado pela própria Dilma, os presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal assumiram o protagonismo no País, impondo sua agenda para um Planalto acuado e atrapalhado. As surras tomadas pelo governo no parlamento são vexatórias, intensas e em série. Pode parecer incrível, mas não se enxerga mais legitimidade de uma administração que foi reeleita menos de um ano atrás.
 
Os problemas vêm de todas frentes. O cardápio é variado, passando por corrupção, inflação, economia deteriorada, desemprego, falta de crédito, derrotas no Congresso, inoperância e fraqueza. Falta capacidade de liderança para a Presidente e reconhecimento institucional ao seu governo. A gravidade é tamanha que há rumores até de que Lula estaria disposto a entregar a cabeça de Dilma com vistas a preservar a sua. Na Câmara fala-se em aprovar o sistema parlamentarista. A palavra impeachment circula livremente pela capital. 
 
A solução encontrada por Garrett Walker foi a renúncia. As saídas encontradas para situações de crise são várias, entretanto, durante uma convulsão política aguda, as opções diminuem muito. No caso de Dilma, os números ainda não se transformaram, por mais incrível que possa parecer,  em pressão real para que deixe o cargo – o que não quer dizer que não possa acontecer. Apesar de perdido e fraco o governo ainda se mantém, entretanto, com o crescimento das pressões, tudo pode mudar rapidamente. Já chegou o momento da Presidente olhar com atenção para todo seu leque de opções ao invés de ser tragada pelo processo de dilaceramento de sua liderança. Muitas vezes é melhor manter a dignidade e abrir caminho para o processo de cura.
 
*Consultor Político. Mestre em Ciência Política, Universidad Rey Juan Carlos, Espanha.

Pílulas do Vicente Limongi Netto

Vazamento seletivo

"Furo' jornalistico é saudável. Estimulante e bem vindo. É competência e profissionalismo. Vazamento da informação é torpeza. Jogo rasteiro, desleal e sujo.  Vulgariza a reportagem e desrespeita a concorrência. Vazamento é lama,  canalhice, perseguição e ódio ao legítimo jornalismo.
É ainda mais grave quando o vazamento é seletivo, partidarizado e com claro objetivo de perseguição e intimidação a determinados acusados.  O mais grave é que o nefasto vazamento virou moda e é geralmente concedido à revista Veja. Até quando o Brasil terá que conviver com jornalismo tão infame e desagregador?
O vazamento também agride e humilha o STF, quando o ministro da Suprema Corte,  Teori Zavaski garante que o documento da “Operação Lava Jato” tramita em segredo de justiça no Supremo". É patético, se não fosse trágico e irônico.  Resta saber a quem interessa que o vazamento continue contaminando as relações entre membros do Judiciário e do Legislativo.
Aguarda-se o próximo sórdido vazamento, estrelado por delator interessado apenas em salvar a própria pele, acusando grotesca e levianamente, escudado apenas em  ilações.
Ricardo Pessoa e Veja unidos
O delator Ricardo Pessoa uniu-se aos ratos da pornográfica Veja para jogar as patas contra Collor. Dedo-duro safado como Pessoa  acusa  a própria mãe para livrar a cara.  Pessoa tem que provar que destinou dinheiro de propina para Collor.  Ilações não servem de provas para condenar ninguém.
Por sua vez, Veja não tem nenhuma credibilidade para acusar Collor. A Editora Abril pagou 1 milhão e 500 mil reais de indenização ao ex-presidente Collor. O senador foi o único homem público que teve a coragem de enfrentar a torpe Veja nos tribunais. Enfrentou e ganhou.  Porque tem a consciência tranquila e não teme ameaças . Quem permitiu o vazamento da delação do patife Ricardo Pessoa para a Veja é da mesma laia da revista. Se merecem. São sujos e irresponsáveis.
Solidariedade a Marin
Digo, sem nenhum receio, que estou entre  aquelas dezenas de pessoas que mandou cartas para José Maria Marin, preso na Suiça(Esporte- FSP- 1/7) Nada acaba com as verdadeiras amizades. Não se perdem com o tempo. São eternas e desinteressadas. Estão acima das calúnias e intrigas. Marin é de têmpera forte. Tem firmeza para enfrentar e vencer os momentos difíceis. A solidariedade é importante nas horas de dor.  Não se destrói fortaleza de aço com balas de festim. Respeito as amizades dos outros, exijo que respeitem as minhas.
Brasília é o caos
 
A verdade precisa ser dita. Bobagem tentar esconder o sol com a peneira. Basta de conversa fiada. O brasiliense não suporta mais viver com tantos problemas. A ex-“Capital da Esperança” tornou-se um caos. Triste constatação.
Em todo lugar predomina a avassaladora insegurança. O  atendimento nos hospitais e prontos-socorros é medonho, humilhante e desrespeitoso. O transporte público é um horror. Uma vergonha.  Diariamente as notícias ruins, tristes e assustadoras tomam conta da televisão, rádio e jornais. O medo tomou conta da rotina do cidadão. O lero-lero das autoridades chega a ser cínico. Alunos não têm mais segurança nem dentro das salas de aula. Punição severa e cadeia para estes marginais. Moleques, desajustados, bandidos e pedófilos têm que ser enjaulados. A meu ver, esta escória deveria ser castrada. Chega.
A população exige enérgicas providências. Pagamos impostos caros e não temos o devido, merecido e justo retorno. Assaltantes, traficantes, drogados e mendigos tomaram conta das ruas, das esquinas e dos estacionamentos. O pânico e o medo dominam Brasília. Dói dizer: O governo está perdendo de goleada a guerra contra a bandidagem. Falta firmeza, união, coragem e determinação para coibir a ação dos criminosos. Até quando, Santo Deus, continuaremos reféns de tantas atrocidades?
Bancada amazonense
 
Parabéns aos deputados federais do Amazonas. Foram destemidos e argumentaram com competência retrucando a demagogia, oportunismo, má-fé e irresponsabilidade dos parlamentares que não perdem chances de tentar prejudicar a Zona Franca de Manaus.

Tomara que a bancada federal amazonense prossiga sempre assim, unida e valente em torno dos legítimos interesses do polo de Manaus. Afinal, quem sustenta os milhares de empregos dos trabalhadores na Zona Franca de Manaus, os deputados venais que rosnam contra a zona franca ou os empresários do polo industrial?
Périco reeleito
 
O economista Wilson Périco foi reeleito presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam) para a gestão do quadriênio 2015-2019. A eleição da entidade também escolheu o novo Conselho Superior e Fiscal para os próximos quatro anos.
Para essa nova gestão, Périco considera como metas buscar novas matrizes econômicas para o Amazonas. “Temos insistido nisso pois precisamos descentralizar essa riqueza que nós temos na capital – que depende completamente do Polo Industrial de Manaus – e levar essa riqueza e renda para o interior. E, quem sabe, ter assim mais dois ou três pilares de sustentação socioeconômica no Estado e não ficar dependendo das benesses do governo federal”, declarou.
O empresário aproveitou para fazer uma avaliação da sua gestão à frente Cieam. “Nesse primeiro mandato houve o desafio, a aproximação e a interação do Cieam junto às demais classes produtoras e trabalhistas, e a aproximação junto aos órgãos públicos. Considero esse alguns marcos dessa gestão e dessa equipe, mais ainda temos muitos desafios pela frente e esse será o mote do nosso trabalho nos próximos quatro anos”, concluiu. A posse da nova diretoria acontece no dia 17 de julho.