quarta-feira, 4 de julho de 2012

Novo aquífero reforça posição de alerta do Brasil


O maior aqüífero do mundo não é o Guarani (45 mil quilômetros cúbicos de reservas), como se imaginava, mas o de Alter do Chão, pitoresca localidade turística entre os estados brasileiros do Pará, Amazonas e Amapá, eleita pelo jornal inglês “The Guardian” como a mais bela praia do mundo.
Segundo informação divulgada pelo blog Eco4u (http://eco4u.wordpress.com/about/) o novo aqüífero foi descoberto , em 1960, pela Petrobrás e a Companhia de Pesquisas e Recursos Minerais- CPRM -, que perfuraram 1.500 metros e encontraram reservas estimadas em 86 mil quilômetros cúbicos de água doce, com 437.500 quilômetros quadrados de extensão e 545 metros de espessura.

À margem direita do rio Tapajós, a 32 quilômetros de Santarém, o aqüífero de Alter do Chão tem potencial para abastecer a população mundial durante 500 anos, segundo afirma Milton Matta, geólogo da Universidade Federal do Pará.

O aqüífero Guarani se estende por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Dois terço dele situam-se no Brasil, nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais A maioria dos brasileiros desconhece que centenas de cidades (entre as quais Londrina, Campo Grande, Ribeirão Preto, Marília, São José do Rio Preto) são abastecidas por esse aqüífero.

Já defendi, em diversos artigos, o planejamento político-estratégico para gerenciamento dos recursos hídricos do Brasil, um país que dispõe de 13,7% (há quem afirme que 17%) do total de água doce do planeta, salientando a importância da água como bem natural escasso e vital, bem como o crescimento da demanda do precioso líquido para agricultura, utilização industrial e consumo humano.

A água doce representa apenas 3% do total de água existente no planeta e os aqüíferos respondem por 95% desse total, sendo utilizados por mais de dois bilhões de pessoas.  A escassez torna-se motivo potencial de conflitos entre os países para a conquista dos mananciais desse bem cada vez mais estratégico.

No Brasil, 80%, dos mananciais estão localizados na região norte, onde há pequena população, e os 20% restantes nas regiões mais populosas, o que configura o dilema de o País ter muita água, onde há pouca gente, e muita gente, onde há pouca água.

Projetos como os de desvio das águas do Rio São Francisco – já em execução - para a bacia do Nordeste e da possível conexão do rio Tocantins com o São Francisco sempre suscitam polêmicas entre os ambientalistas, mas continuam na pauta do governo brasileiro, exigindo acurados estudos estratégicos, em face da ambição que a água desperta como fator de poder mundial.

Até a água salgada merece estudos permanentes: A questão do mar territorial e patrimonial se coloca a todo instante desafiadora, como agora, quando se constata que imensa área do Pré-Sal, onde o Brasil investe na exploração de petróleo, situa-se em zona internacional, que os Estados Unidos e algumas outras potências não reconhecem como de domínio econômico exclusivo do Brasil.


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