segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Radio Sputnik marca Brasil no Socialismo


A agência de notícias e rádio Sputnik é a nova versão de “A Voz da Rússia”, cujo site brasileiro divulga amplo noticiário sobre a Rússia, com enfoque nas suas relações com o Brasil. Para acessar, basta clicar em http://sputiniknews.com.

Nos tempos da “Guerra Fria”, década de 60/70, em que o regime militar brasileiro vigiava os movimentos da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas –URSS- na América Latina e na África, o máximo que se tolerava no Brasil era o funcionamento da Embaixada da URSS, com seus serviços de divulgação, e o credenciamento de correspondentes da agência TASS junto ao Itamaraty.

Como editor internacional do “Correio Braziliense”, eu tinha dificuldades em divulgar textos confiáveis sobre a União Soviética, pois o material panfletário do setor cultural e de imprensa da Embaixada e as versões dos correspondentes da TASS dispunham claramente sobre apologia ideológica em detrimento da informação jornalística.

As  principais agências noticiosas ocidentais (United Press Internacional  –UPI - e Associated Press – AP-, norte-americanas, ANSA, italiana, e Reuters, inglesa) também noticiavam fatos de interesse dos Estados Unidos e seus parceiros ocidentais.Com raras exceções à fidelidade jornalística, era a “guerra-fria” entre Washington e Moscou, e havia patrulheiros ideológicos de todos os lados, e nem os noticiários do Pravda, órgão oficial do Partido Comunista Soviético,  e do Granma, órgão oficial do Partido Comunista de Cuba,  escapavam dos filtros da censura quando entravam no Brasil.

Quem lê hoje o site do Sputinik não tem idéia da massiva presença dos russos no Brasil, se comparada com a discreta divulgação e presença dos soviéticos há quatro ou cinco décadas. O acordo de cooperação militar firmado recentemente pelos dirigentes dos dois países, Dilma e Putin, que abrange não apenas o fornecimento de equipamentos de defesa antiaérea, mas também a troca de informações e treinamento, possibilitando a livre circulação de até 40 mil militares russos no Brasil, tudo justificado pela participação nos BRICS - grupo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul -, vem causando perplexidade em vários setores.

O próprio silêncio dos Estados Unidos diante dessa guinada do Brasil para o Socialismo, consolidada pelo acordo militar com a Rússia, a nomeação de um comunista para o Ministério da Defesa, o deputado Aldo Rebelo, e mais recentemente de comunistas para cargos de assessoria de Aldo, como a deputada Perpétua Almeida, do PC do B do Acre, que assumiu a estratégica secretaria de Produtos da Defesa, são fatos que ainda não foram digeridos por setores mais conservadores das Forças Armadas.

Algumas cabeças, na ativa e na reserva das três forças, consideram que o Brasil vive hoje uma república marxista gerada pelo Foro de São Paulo, sob inspiração da cartilha de Gramsci e difundida por todos os países da América do Sul, não se justificando que alguns expoentes militares possam admitir “engolir sapos pelo bem da instituição”, quando as forças estão sucateadas e sem recursos orçamentários para sua manutenção, enquanto comunistas se enriquecem na corrupção.

O filósofo Olavo de Castro, considerado de direita, responsabiliza o governo de Fernando Henrique Cardoso, do Partido da Social Democracia Brasileira –PSDB- por esta guinada brasileira à esquerda, observando que o Partido dos Trabalhadores –PT- é mais operacional e menos ideológico, enquanto o PSDB é um partido da Internacional Socialista e de falsa oposição.

Pelas redes sociais, muitos internautas duvidam que a manifestação prevista para o próximo dia 13 de março, em favor do impeachment da Presidente Dilma Rousseff, provoque algum resultado concreto, mas aumenta a corrente dos que desejam soluções mais duras para mudar a atual situação política e econômica do Brasil.  Mas, ainda falta o nome salvador da pátria para recolocar o Brasil no seu tradicional nicho de país liberal,  democrático e capitalista. Em caso contrário, só falta proclamar a República Socialista do Brasil mudando-se a Constituição...

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