sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Planalto aplica teoria da verdade como azeite



A Presidente Dilma, mais uma vez, usou a estratégia de não demitir abertamente, em sua “faxina”, para que um ministro se demita a si próprio pelos fatos e pelas denúncias em que se vê envolvido, quando acusado de prática de corrupção. Assim, aplica o velho adágio: “A verdade é como azeite, que sempre vem à tona...”

Ou seja, Dilma, mais uma vez, deu a corda para o acusado se enforcar, sem assumir o ônus de justiceira. Estratégia política ou esperteza da Presidente, que é discípula de Leonel Brizola, para não se desgastar em bolsões radicais e pouco éticos da hoste petista?

Assim aconteceu com o ministro dos Esportes, Orlando Silva, que recebeu uma saraivada de acusações, foi se explicar a Dilma, continuou no cargo, mas com a sua sentença de defenestração decretada pela chefe do governo.

Orlando Silva, um ministro com respaldo parlamentar condicionado ao poder do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, alvo de denúncias de corrupção, foi substituído pelo deputado Aldo Rebelo, também pertencente ao Partido Comunista do Brasil – PC do B.

Ex-Presidente da Câmara dos Deputados e ex-ministro das Relações Institucionais do Governo Lula, Aldo Rebelo é um dos quadros de maior experiência e prestígio do PC do B, mas, conversando com minhas fontes em Brasília, pude apurar que ele não era o preferido do Palácio do Planalto.

Não sei quem era o nome “in pectore” de Dilma para esse cargo estrategíssimo (Juca Kfouri disse que Pelé chegou a ser convidado e recusou o cargo), que trata de assuntos relacionados ao mundo do entretenimento das massas, mas com ampla incidência numa área que exerce fascínio sobre as Organizações Não-Governamentais e... as empreiteiras, estas tão compromissadas com o PMDB, ainda mais nesse período  febril de obras vultosas para a Copa do Mundo e de preparativos para as eleições municipais do próximo ano.

Enquanto isso a Comissão da Verdade, cujo texto de criação se encontra nas mãos da Presidente Dilma, para sanção, vai gerando algumas expectativas que extrapolam ao objetivo visado pelos seus arquitetos. Ali, tudo indica que não vai ser aplicado o adágio da verdade como azeite.

Um dos artigos do texto dá margem a uma avalanche de processos, a serem movidos pela Advocacia–Geral da União, contra responsáveis pela prática de crimes durante o regime militar, obrigando-os a ressarcirem o Tesouro pelos gastos com indenizações já pagas a vítimas do regime. E quem ressarcirá as vítimas do lado do regime, muitas inocentes e quem morreram no fogo cruzado?

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A comunicação no jogo do poder político


Enquete realizada neste blogspot sobre a comunicação do governo Dilma apresenta como resultados: Boa: 75% e Péssima 25%. As demais opções, Ótima, Ruim e Sofrível, não tiveram nenhum voto, do que se conclui que o governo Dilma não tem uma comunicação a contento com seus governados.

Mas, qual seria a razão desse diagnóstico? Afinal, o aparato oficial envolve comunicação impressa e eletrônica (jornais, revistas, rádio e televisão), multimídia e, de modo especial, a Internet, além de volume de publicidade e propaganda e programas assistencialistas (bolsa-família, bolsa-educação, etc.) que, por si só, já garantem a propaganda do governo junto a milhões de brasileiros.

A equipe de comunicação do governo, liderada pela jornalista Helena Chagas, filha do veterano e brilhante jornalista, professor e escritor Carlos Chagas, que foi assessor de imprensa do Presidente Costa e Silva, é eficiente.
A Presidente Dilma adquiriu molejo, pois aprendeu muito com o marketing eleitoral, nesses últimos anos, não só como candidata na campanha presidencial, mas acompanhando o Presidente Lula em suas viagens por todos os quadrantes do Brasil e do planeta.

E mais, se é assim, entre boa e péssima, por amostragem, neste blogspot que tem pouco tempo de lançamento, como a Presidente Dilma vem conseguindo índices gerais superiores a 70% de aprovação de seu governo, conforme pesquisas realizadas por diversos institutos?

O Brasil vem crescendo e o poder aquisitivo da população idem, desde o Plano Real criado pelo Presidente Itamar Franco, apesar dos refluxos recentes na economia mundial decorrentes da crise financeira causada pela bolha imobiliária dos Estados Unidos, em 2007, com a conseqüente quebra atual de países como a Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda, Itália, etc.

O Governo Dilma continua bem avaliado, a imagem pessoal da Presidente (a), favorecida pela “faxina ministerial” que promoveu e que pode ter seqüência, a qualquer momento, no Ministério dos Esportes, se mantém positiva, até mesmo pelos vultosos investimentos que vêm sendo realizados nos preparativos da Copa do Mundo em todos os estados envolvidos; a engenharia política de sustentação no governo no Congresso Nacional é eficiente, pela absoluta falta de oposição, etc.

Mas, então, voltando-se à pergunta que não se cala: O que há de errado na comunicação do governo? Respondo: A imobilidade social - essa democracia mitigada desmobilizante (quase paralisante), gerada pelo pensamento único (de que tudo está certo e tem que continuar assim) em que se encontra o país.

O ensaio de passeatas contra a corrupção é pouco, diante do silêncio da União Nacional dos Estudantes, do marasmo em que se encontram os sindicatos e da atitude de avestruz das alas oposicionistas potencialmente conservadoras. Até o Movimento dos Sem-Terra entrou em hibernação.

Nos Estados Unidos, se medem os termômetros das manifestações pelo número de ocorrências das mesmas ao ano em relação ao número de habitantes dos grandes centros. A cidade campeã das manifestações é Denver, no Colorado, segundo afirmou Lucas Mendes, apresentador do programa “Manhattan Connection” (GNT). Aqui no Brasil, era São Bernardo do Campo, hoje, como o resto da região do ABC, antes palco de memoráveis atuações dos metalúrgicos liderados por Lula contra o regime militar, mergulhado na placidez dos lagos.
O apresentador e sua equipe ensaiaram breve explicação sobre a calma reinante no Brasil: A falta de competência da direita para organizar passeatas e outras manifestações contra os governos de esquerda, como PSDB e PT, pragmaticamente apoiados no PMDB.

A comunicação política no governo Dilma não é boa, e falo de comunicação na acepção científica, a comunicação política, cujo mestre, o italiano Ângelo Panebianco, define como “conjunto de mensagens circulantes num sistema político e que condicionam as ofertas e demandas desse sistema”. Dilma pode estar bem, mas o sistema político se encontra com muitos curtos-circuitos, que a Web ajuda a disfarçar.

Sem fluência regular das informações em todas as direções e sentidos dos quadrantes, como preconizam os teóricos matemáticos da comunicação (Shannon, Wiener, Fagner, etc.) para um verdadeiro regime democrático, o Brasil vai acumulando “ruídos” sociais e políticos cada vez mais graves, até que, em determinada hora,  governantes e governados baterão cabeças e o País perderá muito em governabilidade,chegando à entropia  -desordem interna do sistema-.

Mas, essa ameaça é típica da globalização e se encontra presente em muitos países, potencializada pelas ondas da web. Ainda não li nada sobre como preveni-la, mas pretendo pesquisar a respeito.

No jogo do poder político, não basta comunicar. É preciso comunicar com objetivos definidos para se alcançar resultados positivos para a população e o país.

Webdoc “Narradores do Açu” gera debate sobre desapropriação de agricultores em São João da Barra (RJ)



A pedido de minha colega e seguidora, jornalista Aline Machado, publico matéria a respeito da desapropriação das terras de agricultores em São João da Barra (RJ), texto ilustrado pelo pujante vídeo “Narradores de Açu”, que pode ser acessado abaixo.

Não se trata de mera questão relacionada ao conflito social. Aliás, embora paralelas, as teorias do conflito social (adstrito ao campo social) e do conflito político (referente à política como instrumento de conquista e manutenção do poder em todas as suas expressões) convergem para o ponto em comum, que é a pertinência com a paz social e a justiça social, ambas, nesse episódio, ameaçadas pela violação do direito de propriedade privada – um dos pilares do Capitalismo.

Rousseau condena a propriedade privada (“O primeiro que, tendo cercado um terreno, atreveu-se a dizer: isto é meu, e encontrou pessoas simples o suficiente para acreditar nele, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Quantos crimes, guerras, assassínios, quanta miséria e horrores não teria poupado ao gênero humano aquele que, arrancando as estacas ou enchendo o fosso, houvesse gritado aos seus semelhantes: evitai ouvir esse impostor. Estareis perdidos se esquecerdes que os frutos são de todos e que a terra não é de ninguém!”(1750), enquanto Locke vê legitimidade na mesma, desde que seja transformada pelo trabalho: “Tomar parte daquilo que é comum e retirá-la do estado em que a deixa a natureza”(“Segundo Tratado sobre o Governo”). Segue o texto enviado por Aline Machado:

“O Web Documentário “Narradores do Açu” ,produzido por alunos da Faculdade de Filosofia de Campos, sob orientação do professor Vitor Menezes, da disciplina Narrativas Jornalísticas, vem causando grandes discussões em diversos blogs regionais e nacionais e entre instituições de ensino superior.


Abordando a desapropriação dos agricultores moradores do 5º Distrito de São João da Barra, para a Construção do Complexo Portuário do Açu, do empresário Eike Batista, o vídeo de apenas 18 minutos tem como protagonistas os próprios agricultores, que contam suas histórias vividas em suas terras produtivas, nas quais foram nascidos e criados, e que hoje serão totalmente destruídas.

A preocupação dos desapropriados está na dificuldade de manter seus trabalhos no campo e suas ocupações diárias, além de perderem as terras na qual vivem e ainda terem que ficar afastados dos familiares que moram em regiões mais próximas às terras.

O webdoc disponível no site youtube em menos de um mês de postagem, já obteve mais de oito mil acessos de usuários de todo o mundo, além de dezenas de comentários mostrando o apoio dos internautas aos moradores.

O documentário concorreu entre as pautas do portal “Comunique-se”, está sendo exibindo em duas emissoras de TV de Campos, foi exposto em diversos sites e blogs nacionais, como “Vi o Mundo’, “A Mosca Azul”, “Jornal do Brasil”, e ainda está inscrito em festivais de cinema em Macaé e Rio das Ostras.

A cópia do vídeo também estará em breve disponível na Videoteca de Cinema Popular Brasileiro, no Sindicato dos Servidores de Rio das Ostras. Toda equipe produtora do vídeo já foi convidada para participar de debates na Universidade Federal Fluminense, no Instituto Federal Fluminense, no SENAC de Campos, no Jornal “O Polifônico”, de Rio das Ostras, e ainda na Associação de Moradores do 5º Distrito de São João da Barra.”