sábado, 26 de abril de 2014

A longa distância entre Comte e Gramsci no Brasil


As esquerdas tentam aplicar no Brasil a estratégia do filósofo italiano socialista Antonio Gramsci (1891-1937), que, em seus “Cadernos do Cárcere” (1975), recomenda a conquista do poder gradativamente, através da superestrutura e da hegemonia cultural, esta obtida via controle dos agentes culturais, em especial os meios de comunicação.

No meu último artigo, em que alerto sobre o início da censura na web, com a edição do Marco Civil da Internet no Brasil, observo o esforço dos atuais detentores do poder aqui, em especial o Partido dos Trabalhadores – PT-, para estender ao universo virtual, onde as redes sociais se comportam como fatores de alto risco para a conformação política, o domínio que já exercem sobre a imprensa falada e escrita (jornais, revistas, rádios e televisões, etc.).

Por mais respeito que Gramsci mereça e por mais incensado que venha sendo no Brasil, não vejo condições de êxito para as esquerdas estabelecerem essa hegemonia e implantarem o Socialismo, como regime eficaz para seus objetivos colimados, porque a governabilidade teria por principal óbice a cultura arraigada do Positivismo comteano, que, na verdade, continua regendo o poder no Brasil, desde a implantação da República, em 1889.

Não importa que haja um plano das esquerdas, inspiradas no Foro de São Paulo, para implantação do Socialismo no Brasil e alhures na América Latina, nos moldes da antiga União Soviética. É possível que até logrem êxito nessa empreitada, bancada por centros de poder que se mantém ocultos na manipulação dos cordéis políticos mundiais, com bases em disputas e interesses econômicos vitais, entre os quais o controle dos mananciais de petróleo e minérios estratégicos.

Mas será um êxito ilusório e por pouco tempo, porque escolheram a ideologia errada. Pelo menos no Brasil, teriam que arrancar da Bandeira Nacional o dístico Ordem e Progresso e expurgar do pensamento militar brasileiro a influência de Augusto Comte (1798-1857). E qual é o pensamento militar brasileiro? É aquele sintetizado nos Objetivos Nacionais Permanentes, cultivados pela Escola Superior de Guerra: Democracia, Soberania, Justiça Social, Integração Nacional e Integridade do Patrimônio Cultural.

Não vale nenhuma leitura mascarada desses conceitos, como fizeram Marx e Feuerbach em relação a Hegel. Com a globalização e o petismo, alguns deles foram retocados com ajuste à nova ordem, mas, no fundo permanecem essencialmente os mesmos. Não se pode ignorar que o Positivismo persiste como regente do poder no Brasil, e o próprio Lula já andou, em outros tempos, reconhecendo essa realidade à qual se curvaram outros líderes da esquerda brasileira em outros tempos, como Leonel Brizola, Mário Covas e Ulysses Guimarães.

Não há nenhuma filosofia idealista transcendental, de Kant a Marx, chegando-se a Gramsci, que consiga suplantar o Positivismo nos bolsões nevrálgicos do poder político brasileiro. E qual é a razão dessa sedimentação do Positivismo no Brasil? Ele transformou  as Forças Armadas  em vanguarda do desenvolvimento tecnológico brasileiro. Com Gramsci, o conceito de Estado ampliado (com sociedade política e sociedade civil ), e a presença da intelectualidade orgânica reduziriam o “stablishment” militar a mero coadjuvante, servo do processo de decisão e condução do País aos Objetivos Nacionais Permanentes. Com Comte, os militares permanecem senhores.

Há muitos anos, ouvi de um coronel do Exército que o Comunismo só teria chance de ser introduzido no Brasil se o fosse com apoio das Forças Armadas. Em alguns momentos, cheguei a considerar como válida essa reflexão, mas hoje a considero apenas uma “boutade”, porque as condições culturais brasileiras, que poderiam servir eventualmente para a estratégia gramsciana, pendem para o Positivismo comteano. Um país em desenvolvimento não tem como se sustentar no idealismo transcendental, sem o risco de ficar como Peter Pan...O estágio brasileiro atual requer a otimização do emprego majoritário das forças sensoriais

Alerto o PMDB, PT, PSDB e todas as demais forças de esquerda e os centros de poder internacionais,que transformam países em fantoches, impondo governantes manipuláveis e ideologias estranhas à cultura nacional, que o Brasil continua positivista e que Augusto Comte impera  aqui sem nenhum rival. Comprarão prejuízos e incorrerão em estupidez apostando contra essa realidade.

Lendo recente obra de Stephen Trombley, “50 Pensadores que formaram o mundo moderno” (Texto Editores Ltda., 2014), apreciei a importância e atualidade de Augusto Comte até como influenciador de socialistas como Saint Simon e Karl Marx. Gramsci está fora dos 50. Essa é a distância que existe entre o Positivismo e o Gramscianismo no Brasil e que não deve ser subestimada pelos afoitos “revolucionários” e seus financiadores.

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