quinta-feira, 22 de maio de 2014

O Tabuleiro, A Auto Estima, Plataformas de candidatos

Gélio Fregapani(Membro da Academia Brasileira de Defesa)
 
O tabuleiro do “Grande Jogo”
Quando o Muro de Berlim foi demolido, estrategistas aventaram o fim dos Estados nacionais soberanos que levaria a um "governo mundial". Em consequência da não-proliferação nuclear (pretexto para um "apartheid tecnológico") ,do uso dos direitos humanos, para justificar intervenções e do ambientalismo para obstaculizar a industrialização dos “periféricos,da desnacionalização das empresas e  da destruição das tradições familiares, para que os povos nunca mais se levantassem, além de outras medidas visando a liberalização financeira e comercial do planeta, garantido por um poder militar aparentemente irresistível que se mobilizou em uma "guerra de recursos" - do Afeganistão à Líbia, passando pelo Iraque. Entretanto, a quebra do grupo Lehman Brothers demonstrou a incapacidade dos governos dos EUA e da Europa de controlar as próprias oligarquias, as mesmas que dirigem o núcleo do sistema financeiro global.
A aspiração anglo-americana de um Governo Mundial durou pouco. A ascensão da China deixava dúvidas quanto ao futuro, mas foi a partir da crise na Ucrânia que a arquitetura geopolítica da "Nova Ordem” foi desafiada. É evidente a queda de braço entre a Rússia e os EUA/OTAN onde a vitória tende para a Rússia. Espera-se que nessa queda de braço predomine o bom senso  que a Rússia não estenda demais suas legitimas ambições e que os EUA se conformem coma perda de posição, ou seja, que não degenere em uma escalada de desafios, mas ninguém pode ter certeza disso.
Auto-Estima
Sem auto- estima não há orgulho. Sem um pouco de orgulho as pessoas, as famílias e as nações desmancham, mas isto passa.
Nós, brasileiros, nunca antes estivemos com tão baixa auto-estima; tudo nosso parece ruim. A nossa corrupção é a maior do mundo (o que não é verdade), o nosso sistema de saúde é o pior de todos (o que também não é real) temos a pior distribuição de renda ( também é mentira) etc.
 
Sem auto-estima nada dá certo, nada se realiza,  obviamente que os motivos para a baixa auto-estima são reais – temos maus governos há mais de duas décadas e a corrupção grassa no varejo e podemos começar a preparar-nos para fortes decepções .
O País poderá ser submetido a uma fase mais intensa da guerra irregular - ou "guerra de quarta geração" - movida, nas últimas décadas, pelo aparato ambientalista-indigenista e de "direitos humanos”, dirigidos por órgãos governamentais e fundações anglo-americanas .
Manifestações aparentemente desconectadas entre si ocorreram no Brasil e na Alemanha, com poucos dias de intervalo, aliadas a intenso noticiário negativo em todo o Primeiro Mundo exagerando as nossas mazelas pois, sugerem que há uma intenção na esteira da onda de descontentamento que se espalha pela nossa sociedade.
 
"Derrubar o Brasil”, em especial, impedir o desenvolvimento da infraestrutura. Como já podíamos esperar, a reação  com tal aparato intervencionista têm sido bastante dificultada devido à omissão e à conivência de setores do governo federal, com setores radicais dos chamados movimentos sociais, cuja manipulação por certos interesses estratégicos internacionais é visível à luz do dia.
Tudo indica que se aproximam tempos difíceis, que podem desembocar até na desagregação do País. O consolo é que sabemos que a auto-estima pode mudar  e rapidamente. A História nos mostra que depois da I Grande  Guerra os alemães nem queriam mais ser alemães e em 1929  a auto-estima dos EUA estava no chão.
Em 1940 estava no auge, assim como a auto-estima americana após a vitória na II Guerra. Nós mesmos observamos a diferença entre a nossa auto-estima de antes do Governo Militar, da época do Médici e a atual. Podemos até sentir a diferença de antes das manifestações (Quando uma revista estrangeira nos chamava de a 6º economia do mundo) e o baixo astral em que estamos, quando a mesma revista afirma que a nossa economia vai para o brejo.
Nós ainda nos levantaremos. Só precisamos acreditar em nós mesmos e de confiar menos no que vem de fora.
Esta não!
O governador de um Estado localizado na fronteira foi preso por ter uma pistola em sua casa, registrada, mas com a licença vencida. Incrível, só os malfeitores podem ter armas, e sem licença. Proteção, não existe e justiça muito menos. Claro, um governador pode determinar escolta da PM, mas o cidadão de bem, proibido de ter uma arma, não tem como se defender. E isto é orientado do exterior, para que os brasileiros se acostumem a não reagir quando ameaçados.
No afã de desarmar as pessoas de bem, o Exército, erroneamente, declara que seus oficiais  não tem capacidade técnica para dar instrução de tiro e assinar um laudo, ou seja não podem ensinar oficialmente o uso de uma pistola, necessitando para isto uma autorização, como se fosse civil.Ser um instrutor nato,é um dos requisitos para ser um oficial e treinar a tropa no uso e manuseio de varias armas. Provavelmente seja o único país no mundo em que o seu próprio Exército declara a incapacidade de seus oficiais. Deve ser coisa do Ministro da Defesa, o mesmo que assinou a Convenção dos Direitos dos Povos Indígenas.
Protocolos superdimensionados, que forçam as altas patentes a interromperem suas agendas de trabalho para, em Brasília, reverenciar visitantes das mais modestas origens – como as delegações militares da Serra Leoa, de Antiguae Barbados –, são parte do legado de punhos de renda que a Era Amorim deixa ao funcionamento interno do Ministério. Eta ministro pernicioso!
O Min. Zawascki, ao avocar para o STF o julgamento da Operação Lava- jato, mandou liberar todos os 12 investigados, inclusive o doleiro Youssef . Avocar o julgamento para o STF é justificável por envolver um deputado (o  André Vargas), mas mandar liberar todos os investigados do desvio de 10 bilhões, não é. Pressionado talvez pela opinião pública o ministro voltou atrás, menos quanto ao mais importante. 
A raposa no galinheiro - Citado pelo ex-secretário do Tesouro americano como 'confiável e competente', Armínio Fraga está cotado para comandar o Banco Central americano. Fraga presidiu o Banco Central brasileiro durante o governo de FHC e atua como conselheiro econômico do candidato à presidência, Aécio Neves. Perguntaríamos: a serviço de quem?
Existe a guerra comercial SIM,. E o  povo brasileiro deve saber .
- Os EUA sabem que sua riqueza depende de suas empresas e cuida delas como cuida das suas Forças Armadas, mesmo sem leis específicas, não permite a venda de empresas estratégicas e conservam as estatais de infraestrutura. Na França, a venda de certas empresas para estrangeiros passa a ser proibida. Um novo decreto do governo francês amplia a medida já existente para o setor de defesa e segurança. O  veto do executivo francês agora abrange também os setores de energia, água, telecomunicações, transporte e saúde.Da China nem se fala.
- O uso da espionagem para obter segredos industriais e vantagens comerciais sempre existiu e continua, cada vez mais eficiente graças às novas tecnologias. Nós não espionamos, não protegemos nossas indústrias, Assim não teremos nunca condições de competir.
O Governo cuida das nossas empresas como cuida das nossas Forças Armadas, isto é, faz tudo para prejudicá-las.
- Podemos sentir as digitais desta guerra na invasão das grandes empresas (Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez e outras).  Na campanha “Copa sem povo”, no grupo encapuzado que atacou o prédio da embaixada brasileira em Berlim, justificando como um protesto contra os gastos excessivos da Copa, na atuação das Fundações apoiadoras e financiadoras do aparato ambientalista-indigenista em campanha contra os grandes projetos de infraestrutura e a energia nuclear.
 
Chama a atenção a fúria da guerra contra a Petrobrás, muito além dos desvios e roubos realmente existentes. “Os militares chamam isto de Guerra de Quarta Geração”. Assinale-se o vale tudo para estancar a proliferação de concorrentes na área do enriquecimento do urânio e a evidente sabotagem nos nossos lançamentos  de foguetes em Alcântara. A partir destes fatos é fácil tirar conclusões.
- Nossos Governos, em maior ou menor grau, tem se pautado pela predominância do dinheiro, notadamente de estrangeiros, para os quais, criar bilhões (sem lastro)  depende de um clic nos  computadores, o que os habilita a comprarem o que quiserem, tanto bens de produção, como patrimônios, como consciências.
- Tudo tem acontecido desde a queda de Vargas para gaudio das transnacionais e mesmo de estatais estrangeiras, que compram os nossos meios de produção com dólares sem lastro e garantem os lucros e os transferem ao exterior. Essa é a origem das brutais dívidas públicas, em cima das quais as taxas de juros se encarregam de levá-las à estratosfera, com a composição deles.
Brasil, Desperta!
Plataformas dos candidatos
Ainda não começou, oficialmente, a campanha eleitoral, portanto este ensaio se refere apenas à impressão que os candidatos deixaram até o momento. As opiniões basearam-se nas plataformas apresentadas, em seus discursos e em programas de partido. Deve ser considerado como um”flash” instantâneo, que ainda pode evoluir.
 Dilma Roussef
O programa do PT usa o mote “de um "projeto nacional de desenvolvimento”. As diretrizes  pregam maior presença do Estado na economia, com fortalecimento das empresas estatais e das políticas de crédito do BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal para o setor produtivo.
Dilma ainda não apresentou um claro programa para um possível próximo governo, mas deu a entender um esforço na questão da habitação urbana e na expansão do agro negócio e manutenção da política de valorização do salário mínimo.  Não se pronunciou quanto a questão indígena, nem evidenciou qualquer planejamento coerente para modificação do atual descalabro na segurança pública, nem na saúde ou educação. Não há evidências de metas coerentes para a política fiscal e monetária. Nos últimos tempos tentou contentar, sem sucesso, o mercado financeiro tendo tornado sua atuação semelhante a era FHC com prejuízo do País. Ainda não definiu seu vice, o que representará o grupo com que pretende governar, mas a tendência parece ser para o grupo mais corrupto (e mais influente)
Num novo governo pode-se esperar a manutenção de excessiva solidariedade aos governos esquerdistas da América do Sul e a hostilidade aos EUA. Não foi evidenciado que haveria um forte combate à corrupção, que é seu principal defeito. Isto dependerá principalmente da necessidade de aliados e do apoio desses para governabilidade.
É provável que a oligarquia financeira internacional procure impedir a reeleição e não conseguindo tudo fará para que seu governo não dê certo. Especula-se que a radicalização insuflada por ela jogue a reeleita totalmente para os braços dos que a apóiem, ou seja para a esquerda e isto tende a levar o País a uma guerra civil. A esperança, pequena, é que, abandonada pelos radicais da esquerda, Dilma se apóie nos nacionalistas das Forças Armadas, da industria e do agro-negócio.
Os indicadores, até agora, apontam para a probabilidade de que um segundo governo Dilma seja ainda pior do que o atual, com possibilidade e guerra civil. 
Aécio Neves
O ideário do PSDB tende para o neo-liberalismo com fortes ligações com o Primeiro mundo, em situação subordinada.
Aécio também não apresentou um claro programa para um possível próximo governo, mas genericamente afirma encarnar a “mudança de verdade" para o país, e querer valorizar o Legislativo, que considera estar “de cócoras" em relação ao governo do PT.  Em seus discursos foca a comparação entre o governo do PT com os governos comandados pelo PSDB. Defende uma reconciliação do país com o passado, com a gestão de FHC na presidência. Também não se pronunciou quanto a questão indígena ainda que tenda a tratar deste assunto de forma ainda mais internacional do que o governo atual.
Também não evidenciou qualquer planejamento coerente para modificação do atual descalabro na segurança pública, embora nesta última haja expectativa de um saudável endurecimento na atual permissividade da legislação. Em certa ocasião disse ser a favor da redução da maioridade penal para 16 anos em casos "específicos", como na prática de crime hediondo e reincidência.
Num possível governo pode-se esperar o afastamento não só dos governos esquerdistas da América do Sul como do resto do Terceiro Mundo, inclusive dos BRICS,  uma aproximação com os EUA e a renuncia a tentativa de política independente. Quanto a corrupção, há a expectativa que seja combatida no varejo, embora no atacado se espere a continuação das desnacionalizações do governo FHC a preço vil.
É provável que os petistas nomeados que infestam os cargos públicos, antes de entregarem suas funções, façam o possível para inviabilizar a administração, causando graves prejuízose que os movimentos radicais, auto intitulados de sociais, agora apoiados pela cúpula dos partidos derrotados, criem badernas em conjunto havendo possibilidade de guerra civil, especialmente se contarem com a participação do bloco nacionalista, revoltados com as desnacionalizações e com a subordinação do País .
Os indicadores, até agora, apontam para a probabilidade que um governo Aécio tenha poucas ligações com o País e que tenda a aceitar um desmembramento do mesmo.
Eduardo Campos / Marina
O programa do PSB prega o estabelecimento de um regime socialista que pretensamente aboliria os antagonismos de classe. A socialização realizar-se -ia gradativamente,  até a transferência ao domínio social de todos os bens passíveis de criar riquezas, mantida a propriedade privada nos limites da possibilidade de sua utilização pessoal, sem prejuízo do interesse coletivo. Um programa essencialmente comunista, como suas raízes.
Campos também ainda não apresentou um programa claro de governo, e tudo indica que não tem programa algum, salvo de uma socialização difusa  e seu discursos fala da falta de diálogo atual, promete reduzir a inflação de 6% para 4% sem dizer que para isto precisaria reduzir os salários.
Escolhendo Marina para vice, comprometeu-se com a agenda ambientalista-indigenista que pretende paralisar o progresso. Seu governo seria de um descalabro total e não resistiria três meses.         Marina exigirá, em troca de seu apoio, a  perseguição ao agro negócio, às grades empresas, expansão da agenda indigenista e quilombola, em resumo, exigências que por si só acabariam com o progresso e com os empregos .
Os indicadores apontam para que não pense realmente na possibilidade de ser eleito, mas sim de popularizar seu nome para o futuro e ampliar sua força política, significativa apenas em Pernambuco .
Jair Bolsonaro
Seu partido não tem maior significação para ele. Foi escolhido só porque apresentou menores exigências de cargos e ele foi aceito porque  puxa votos que servem para eleger mais deputados.
A posição do Bolsonaro é conhecida: orgulho nacional e desenvolvimento. Sua personalidade algo destemperada, que tem sido o obstáculo a aceitação dele pelas massas, no momento em que o País ameaça voltar ao caos de 1963 deixa de ser desvantagem para se tornar a personalidade necessária para o momento, com o handicap de não estar alinhado com os EUA como os conspiradores do início da Revolução.
Embora ainda sofrendo restrições  pelos violentos ataques da imprensa comunicante, aos poucos encarna as aspirações dos nacionalistas e dos que se ressentem da indução à desorganização familiar por setores do atual governo.
Bolsonaro, até agora, foi o único a apresentar uma plataforma , com as intenções descritas a seguir:
Redução da maioridade penal;
Política de planejamento familiar;
Política de defesa da família (contra o Kit Gay);
Revogação total do Estatuto do  Desarmamento;
Contra a indústria de demarcação de terras indígenas;
Contra o exame de Ordem (OAB);
Contra quaisquer tipos de  cotas (estimulam o ódio);
Pelo fim da ideologia nas escolas;
Valoração das Forças Armadas (contra a Comissão da Verdade);
Contra o Marco Civil da Internet ( regulamentado por decreto)
Contra as atuais políticas de direitos humanos;
Contra o auxílio reclusão , e
A favor do trabalho forçado em presídios.
Os indicadores apontam para que, tal como Campos, não pense realmente na possibilidade de ser eleito, mas sim de difundir suas idéias, mais ainda  do que popularizar seu nome para o futuro e ampliar sua força política entretanto, parte das idéias apresentadas, cada vez mais são desejo explícito de significativa parte do povo brasileiro e pode repetir o fenômeno Enéas ou mesmo os do Jânio e do Collor.O que é certo é que o Bolsonaro , na remota possibilidade de ser eleito, realmente tentará realizar o que se propõe
 Que Deus ilumine os eleitores!

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