quinta-feira, 14 de abril de 2016

Corrupção é o maior golpe contra democracia no Brasil


Golpe é a corrupção sistêmica, que faz sangrar o Brasil. O provável impeachment da Presidenta Dilma Rousseff tem suscitado debates de toda ordem, mas que apenas resvalam no maior câncer que atinge atualmente o Brasil: A corrupção sistêmica, que consome cerca de 85  a 100 bilhões de reais por ano, segundo estimativas da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo –FIESP-  e da Organização das Nações Unidas –ONU-.

Essa corrupção é o maior golpe contra a democracia brasileira e, por si só, justificaria a continuidade da “Operação Lava Jato”, sob o comando do juiz Sérgio Moro, que, até agora, relacionou como envolvidos 316 políticos de 28 dos 32 partidos políticos.

O governo Dilma cai pela sua ineficácia política e pela prática de “algumas pedaladas fiscais”, mas reina uma expectativa em relação à continuidade da “Operação Lava Jato”, que  chegou a nomes de empresários, funcionários públicos e privados, militares, diplomatas ,advogados e juízes, descobrindo a bandalheira geral de vários anos que sangra o Brasil.

A Nação observa atentamente os movimentos do novo ministro da Justiça, o  subprocurador da República Eugênio Aragão, que não poderia assumir o cargo, na visão de diversos juristas, por incompatibilidade de funções e razões legais, mas que foi pinçado pelo atual Governo  para controlar a  Polícia Federal e a “Operação Lava Jato”. Há quem aposte que o juiz Moro mandará prender em breve o ex-Presidente Lula et caterva.

Sérgio Marcus Rangel Porto, cronista e escritor mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta ( Rio de Janeiro,1923-1968) diria que quase todos se locupletaram e pediria a restauração da moralidade (“Ou restaura-se a moralidade, ou locupletemo-nos todos”). Mas, Stanislaw ficaria decepcionado com o teor do áudio vazado pelo vice-presidente Michel Temer, em ensaio para assumir o governo em caso de impeachment de Dilma Rousseff. O áudio não menciona o combate à corrupção, hoje a principal bandeira que leva milhões de cidadãos brasileiros indignados às ruas.

O que acontecerá com tantas pessoas relacionadas pela “Operação Lava Jato”, inclusive quase todos os integrantes da cadeia sucessória, o que deixa o Brasil quase acéfalo e de olhos indagativos às Forças Armadas?

Santo Agostinho, em suas “Confissões”, afirma que só é corruptível o que é bom, porque o mau já foi corrompido e o ótimo (Deus) não se permite corromper.  O cientista político Samuel Huntington, dos Estados Unidos, tem um estudo que justifica a corrupção nos países menos desenvolvidos. Nestes, o capital externo sufoca os empresários nativos e estes se escudam na política como meio para sua salvação, locupletando-se das benesses do poder; nos países desenvolvidos, ao contrário, os donos do capital procuram a política como fim para seus projetos de vida.

Pelas duas óticas acima, não há solução à vista para a corrupção no Brasil, um atavismo cultural que já vem de longe, quando Pero Vaz de Caminha, escrivão da Armada de Pedro Álvares Cabral, dizia , em carta ao Rei Dom Manuel I, que, no Brasil, em se plantando, tudo dá, mas já pedia prebendas a familiares e amigos. Outras figuras notáveis do Brasil, que é melhor não serem citadas aqui, escalaram o poder usando as estratégias mais bizarras e inescrupulosas, como se justificando à sobeja  o que dizia Maquiavel, que os meios justificam o fim.

O Senado Federal aprovou o fim da reeleição. Prefiro a palavra reelegibilidade para os cargos executivos, que significa a continuidade administrativa, algo importante para o Brasil, mas, que é distorcida pelos políticos brasileiros. Não é esse instituto o culpado pelas mazelas praticadas pelos ocupantes dos cargos, culturalmente influenciados pelo vício do patrimonialismo e do continuísmo.

A reforma política ideal  brasileira teria que se iniciar pela reciclagem cultural das elites nativas, algo complexo. O poder político teria que ser blindado contra a má influência do poder econômico junto aos partidos e eleitores. A meritocracia na estrutura estatal teria que ser restaurada e os valores liberais, republicanos e democráticos adaptados aos novos tempos de globalização. Não sei se eu estarei vivo para ver alguma mudança dessa dimensão. E não sei se meus filhos, netos e bisnetos estarão... Não se corrige a sombra de uma vara torta...

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